O Governo Federal ampliou o programa Move Aplicativos e passou a permitir o financiamento de veículos seminovos para motoristas de aplicativo e taxistas. A linha oferece juros mais baixos, mas a dificuldade de aprovação do crédito continua sendo o principal obstáculo para o avanço do programa.
Para entrar no financiamento, o automóvel usado deve custar até R$ 150 mil, ter sido fabricado a partir de 2024 e ser elétrico ou híbrido flex. Modelos híbridos movidos exclusivamente a gasolina não são aceitos. A montadora também precisa estar habilitada no programa Mover.
Entre os híbridos flex seminovos que aparecem abaixo do limite estabelecido estão versões do Fiat Pulse, Fiat Fastback, Peugeot 2008 GT e Peugeot 208 GT. No segmento dos elétricos, há opções como BYD Dolphin Mini, BYD Dolphin, GWM Ora 03, GAC Aion UT, Chevrolet Spark EUV, Geely EX2 e Renault Kwid E-Tech.
Apesar da ampliação das opções, especialistas alertam que o preço dos veículos e o endividamento dos trabalhadores dificultam as contratações. Mesmo com taxas inferiores às praticadas normalmente pelo mercado, as parcelas podem continuar elevadas para a renda dos motoristas.
O programa reservou R$ 30 bilhões para o financiamento de veículos. Até 14 de julho, no entanto, apenas R$ 1 bilhão havia sido empenhado, o equivalente a cerca de 3% do total disponibilizado.
Segundo representantes do setor, parte significativa dos motoristas chega às instituições financeiras com restrições no nome ou elevado comprometimento de renda. Como o risco de inadimplência permanece sob responsabilidade dos bancos, cada pedido passa pela política própria de análise de crédito da instituição.
“O crédito ficará sujeito aos critérios de aprovação das instituições financeiras, que efetivamente assumem o risco. Portanto, é razoável esperar recusas e, em alguns casos, a exigência de entrada”, explicou o presidente da Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras, Enilson Sales.
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores com Aplicativos de Transportes Terrestres Intermunicipais de São Paulo, Leandro Cruz, afirmou que até motoristas com faturamento mensal elevado enfrentam recusas quando possuem dívidas ou restrições cadastrais.
Além do financiamento, especialistas recomendam atenção às condições dos seminovos. A orientação é realizar uma avaliação cautelar detalhada, verificar a quilometragem, o histórico de manutenção e a origem do veículo, especialmente em carros anteriormente utilizados por locadoras ou motoristas profissionais.
A Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores avaliou positivamente a inclusão dos usados, mas ponderou que os efeitos poderão ser limitados enquanto os critérios de risco permanecerem os mesmos.
Em nota, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social informou que o programa continua funcionando normalmente e que não há dificuldades no repasse dos recursos. O BNDES ressaltou, porém, que a aprovação individual dos financiamentos é responsabilidade dos agentes financeiros credenciados.
Já realizaram operações bancos e instituições como Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Banrisul, Sicoob, Sicredi e financeiras ligadas a montadoras. Outras instituições ainda estão adaptando seus sistemas para ingressar no programa.
Com a ampliação para os seminovos, o Move Aplicativos oferece mais alternativas para a renovação da frota. Na prática, entretanto, o acesso dependerá não apenas de encontrar um veículo dentro das regras, mas principalmente da capacidade do motorista de comprovar renda, superar a análise bancária e assumir uma nova dívida. (Com informações do G1)



