
Projeto será lançado em Petrolina nesta sexta (26), com presença da ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos. Com investimento de R$ 20 milhões, iniciativa da Embrapa vai levar tecnologias de produção de alimentos com uso de águas salobras para comunidades do Semiárido em seis estados do Nordeste
A Embrapa Semiárido realiza nesta sexta-feira (26), às 10h30, em Petrolina, o lançamento oficial do projeto Sal da Terra, iniciativa que pretende ampliar a produção de alimentos e melhorar a qualidade de vida de comunidades do Semiárido brasileiro por meio do uso sustentável de águas salobras provenientes de sistemas de dessalinização.
A cerimônia acontece no Campo Experimental da Caatinga, na sede da Embrapa Semiárido, e contará com a presença da ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, da diretora-executiva de Inovação, Negócios e Transferência de Tecnologia da Embrapa, Ana Margarida Castro, além de pesquisadores, técnicos, representantes de instituições parceiras e lideranças comunitárias.
Coordenado pela Embrapa Semiárido, o projeto nasceu após uma visita técnica do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação à região em 2023, quando foi identificado o potencial das tecnologias desenvolvidas pela instituição para convivência produtiva com a seca e aproveitamento de águas com altos teores de sais.
Em entrevista ao programa Nossa Voz desta quinta-feira (25), o chefe de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Semiárido e coordenador do projeto, Diogo Denardi Porto, disse que a proposta é aproveitar a estrutura já existente do Programa Água Doce, que atualmente atende mais de 1.200 comunidades do Semiárido, para implantar unidades produtivas capazes de transformar a água dessalinizada em oportunidades de geração de renda e segurança alimentar.
“O objetivo é levar tecnologias de convivência com o Semiárido diretamente para as comunidades, permitindo a produção de alimentos e contribuindo para a melhoria da qualidade de vida da população”, destacou.
Investimento de R$ 20 milhões
O projeto contará com investimento de aproximadamente R$ 20 milhões ao longo de 36 meses. Desse total, cerca de R$ 15 milhões serão destinados à implantação de unidades de referência tecnológica, estruturas que servirão como vitrines para demonstração e transferência de tecnologias voltadas à agricultura biossalina.
As unidades serão instaladas em comunidades de Alagoas, Bahia, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba e Piauí. Em Pernambuco, a estrutura terá foco em pesquisa, desenvolvimento e capacitação, funcionando dentro da Embrapa Semiárido, em Petrolina.
Além da produção de alimentos, o projeto prevê capacitações em diversas áreas, incluindo operação de dessalinizadores, produção de mudas, armazenamento de sementes e manejo sustentável dos recursos hídricos.
Oportunidades para geração de renda
Entre as ações previstas está a produção de mudas de espécies nativas da Caatinga, atividade que ganha relevância diante das novas políticas de recuperação ambiental do bioma. A expectativa é que as unidades produtivas se tornem centros de difusão de conhecimento e criem novas oportunidades econômicas para as comunidades atendidas.
Para Diogo Denardi Porto, o projeto tem potencial para se transformar em uma política pública permanente. “Queremos que o Sal da Terra seja o início de um programa contínuo de transferência de tecnologia para o Semiárido, ampliando os benefícios para cada vez mais comunidades”, afirmou.
Presença da ministra reforça importância da iniciativa
A participação da ministra Luciana Santos é vista pela Embrapa como um reconhecimento ao trabalho desenvolvido pela instituição e pode abrir caminho para novos investimentos em pesquisa, inovação e desenvolvimento regional.
“É uma grande honra para nossa empresa. É um reconhecimento muito grande porque é um que nos orgulha bastante. Nós temos uma grande honra em coordenar esse projeto e a presença da ministra abrilhanta esse momento. Dá um destaque muito grande para nosso trabalho e pode abrir também caminhos para novos investimentos também por parte do ministério”, afirmou Denardi Porto.
A expectativa é que o projeto se torne uma referência nacional no uso produtivo de águas salobras, permitindo que milhares de poços existentes no Semiárido possam ser utilizados de forma eficiente para fortalecer a agricultura e garantir mais segurança hídrica e alimentar às populações da região.
O evento de lançamento deverá reunir representantes de prefeituras, instituições de pesquisa, órgãos de desenvolvimento regional e comunidades beneficiadas, marcando oficialmente o início de uma iniciativa considerada estratégica para o futuro do Semiárido brasileiro.
Veja a entrevista na íntegra
A entrevista completa com o chefe de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Semiárido e coordenador do projeto Sal da Terra, Diogo Denardi Porto, está disponível no canal da Grande Rio FM, no YouTube, através do link.


