Há festivais que terminam quando a programação se encerra. O Juá Literária, não. No penúltimo dia de atividades, o sentimento que percorreu os corredores, palcos e espaços de convivência já era o da saudade antecipada. Como quem folheia as últimas páginas de um livro querido, o público caminhou pelo festival com a certeza de que cada encontro, cada história e cada brincadeira permanecerão vivas muito além desta semana. Nesta sexta-feira (24), a Prefeitura de Juazeiro, por meio da Secretaria de Educação (Seduc), promoveu mais um dia de intensa programação, reafirmando a literatura como território de afeto, formação e transformação social.
A manhã começou com a Mesa Leituras e Brincadeiras, reunindo a escritora Emilia Nunez e o jornalista e escritor Ricardo Ishmael, com mediação de Deco Lipe, no Teatro do Centro de Cultura João Gilberto. Em um diálogo leve e sensível, os convidados refletiram sobre a importância do brincar e da leitura na formação das crianças, especialmente em uma sociedade marcada pela presença constante das telas e pela conexão virtual.
Para Ricardo Ishmael, estimular a leitura e preservar as brincadeiras tradicionais é uma responsabilidade compartilhada por toda a sociedade.
“Vivemos um tempo em que as crianças são atraídas, desde muito cedo, pelas conexões virtuais. Por isso, incentivar a leitura e garantir espaços para o brincar é um compromisso social. São experiências que desenvolvem a imaginação, fortalecem vínculos, despertam o pensamento crítico e ajudam a formar cidadãos mais sensíveis e conscientes”, destacou.
Entre os participantes da atividade estava a psicóloga Paula Matos, que elogiou a proposta da mesa e destacou a relevância do debate para famílias e educadores.
“Foi um momento extremamente enriquecedor. A discussão mostrou que brincar e ler não são apenas formas de entretenimento, mas ferramentas fundamentais para o desenvolvimento emocional, cognitivo e social das crianças. Saio daqui inspirada e altamente agradecida ao Juá Literária”, avaliou.
Durante a tarde, a programação manteve o ritmo intenso e diversificado. Na Carreta Literária, Emilia Nunez voltou a encantar o público com a atividade “A Menina da Cabeça Quadrada”, despertando a imaginação das crianças por meio da literatura.
O festival recebeu a Mesa Literária, com Clara Maria, Marcelo Ribeiro e Maria José Alves, que dialogaram as interseções entre cuidar e educar, além do protagonismo feminino na construção de práticas educativas mais humanas e transformadoras.
No Palco FLIJUÁ, o bate-papo “A Brincadeira como herança cultural e produção de cultura nas infâncias” reuniu Edmerson dos Santos Reis, José do Rego e Virgínia Passos em uma conversa sobre o brincar como patrimônio cultural e elemento essencial na formação das novas gerações.
Ainda na programação da tarde, o Teatro do Centro de Cultura João Gilberto sediou a Mesa Literatura Antirracista, conduzida por Bárbara Carine, promovendo reflexões sobre diversidade, representatividade e o papel da literatura na construção de uma sociedade mais justa e inclusiva.
Em seguida, a apresentação “Lotação Literária” levou arte e literatura ao palco em uma experiência cênica envolvente. No Cais da Palavra, mais uma Mesa Literária reuniu Keren Priscila da Silva, Jocélia Fonseca e Ramon Raniere em um diálogo sobre escrita, identidade e narrativas contemporâneas. Histórias e Letras promoveu um encontro entre a escritora Aline Bei e a mediadora Pok Ribeiro, enquanto, nas Embarcações de Poesias, autores como Fabia Quele, Mariana Guimarães, Renata Linhares, Pablo Luan Silva, Adzamara Amaral, Thiago Alves Dias e Luiz Neves Castro compartilharam suas obras e experiências literárias.
Encerrando a programação da tarde, Conversa & Canção reuniu o cantor e compositor Marcelo Jeneci e Maurício Pacheco, em um encontro que uniu música, poesia e literatura, reafirmando o caráter plural e sensível da Juá Literária.
“Ao se aproximar do encerramento, a Juá Literária confirma que sua maior herança não está apenas nos livros, nas mesas de debate ou nas apresentações artísticas, mas nas memórias que cultiva. Em cada criança que descobriu uma nova história, em cada educador que encontrou inspiração e em cada família que viveu esse encontro com a literatura, permanece a certeza de que o festival continuará ecoando muito depois que suas luzes se apagarem”, compartilhou emocionada, Larissa Cunha, visitante do Juá Literária.



