Após o ataque de uma mulher por cães de rua no último domingo, em Petrolina, no Sertão de Pernambuco, a discussão sobre a quantidade de animais soltos nas ruas voltou a ganhar força entre moradores. O caso aconteceu quando a vítima seguia para a igreja e foi mordida por vários cachorros em uma área conhecida como “atrás da banca”.
Diante da repercussão, representantes da prefeitura falaram sobre o cenário e as medidas adotadas pelo município. Em entrevista ao programa Nossa Voz nesta terça-feira (17), o diretor-presidente da Agência Municipal de Meio Ambiente, Marcelo Gama, e o diretor-presidente da Agência de Vigilância Sanitária, Cássio Andrade, explicaram os desafios e as estratégias em andamento.
Marcelo Gama destacou que a gestão está retomando ações estruturadas voltadas ao bem-estar animal, com foco na castração como principal ferramenta de controle populacional.
“Estamos retomando uma ação importante de castração em Petrolina. Nesse primeiro momento, em parceria com a Vigilância Sanitária, através do Centro de Controle de Zoonoses, já colocamos o Castramóvel em funcionamento. Historicamente, o bem-estar animal sempre esteve ligado à saúde, mas hoje a gente entende que precisa de uma atuação mais específica. A expectativa é ampliar essas ações com investimentos, educação e políticas públicas que enfrentem a raiz do problema, que é a reprodução descontrolada. Como cidadão petrolinense, isso também me incomoda muito, porque ver tantos animais nas ruas traz transtorno e preocupação para a população”, afirmou.
Segundo ele, apesar da capacidade operacional para realizar cirurgias, o município ainda enfrenta entraves para ampliar o número de atendimentos.
“A gente consegue castrar muitos animais em pouco tempo, já chegamos a mais de 100 em um único dia. Mas a grande dificuldade hoje é o pós-operatório. Esses animais precisam de acompanhamento por sete a dez dias, e ainda não temos estrutura suficiente para isso. Se não houver uma castração contínua e em massa, a gente acaba apenas ‘enxugando gelo’, porque enquanto alguns são atendidos, outros continuam se reproduzindo nas ruas. A nossa meta é chegar a cerca de 800 castrações por mês para, de fato, mudar esse cenário”, explicou.
Entre as ações previstas está o início das atividades do Castramóvel, que começa a atender hoje (17) no estacionamento da Faculdade de Petrolina (Facape). O serviço funcionará todas as terças, quartas e quintas-feiras, até o dia 2 de abril, das 9h às 17h, com castrações de cães e gatos machos e fêmeas.
O gestor também chamou atenção para o abandono de animais, apontado como um dos principais fatores para o aumento da população de rua.
“Recebemos relatos constantes de abandono. Recentemente, seis filhotes foram deixados na porta do aeroporto dentro de uma caixa. Isso acontece todos os dias em Petrolina. Sem punição, a gente não vai conseguir resolver o problema. É preciso identificar e responsabilizar quem comete esse tipo de crime, além de conscientizar a população sobre a posse responsável”, disse.
Já o diretor-presidente da Agência de Vigilância Sanitária, Cássio Andrade, explicou como funciona o protocolo em casos de ataques e o papel do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ).
“Quando ocorre um acidente com mordedura, existe um protocolo bem definido. A vítima recebe atendimento imediato na rede de saúde, e o CCZ inicia o monitoramento do animal por um período de dez dias. Caso esse animal apresente sintomas ou venha a óbito, ele é encaminhado para análise, principalmente para investigação de doenças como a raiva. Se não houver risco, ele pode ser castrado e devolvido ao local de origem. É um processo técnico, contínuo e fundamental para a saúde pública”, explicou.
Ele também reforçou a importância da colaboração da população na identificação dos animais envolvidos.
“Sabemos que, no momento de um ataque, é difícil observar detalhes, mas, se possível, é importante registrar imagens ou características do animal. Isso ajuda muito no trabalho de captura e monitoramento. As equipes atuam durante a semana, e, mesmo que o recolhimento não ocorra imediatamente, a identificação permite que a gente faça a busca no próximo dia útil. É um trabalho que depende também do apoio da população”, afirmou.
Sobre o número de animais em situação de rua, o município informou que ainda não há um levantamento preciso.
“Infelizmente, não temos um dimensionamento exato dessa população. Trabalhamos com estimativas estatísticas, baseadas na relação entre pessoas e animais dentro do território. Isso mostra o tamanho do desafio. É uma questão complexa, que envolve saúde pública, comportamento social e políticas de longo prazo”, disse Andrade.
A prefeitura informou que o Castramóvel já iniciou atendimentos em áreas com maior concentração de animais, como a orla da cidade e regiões próximas a instituições. A proposta é ampliar as ações ao longo do ano, aliando castração, educação e fiscalização.
A população pode acionar o Centro de Controle de Zoonoses para denúncias e orientações pelo número (87) 3983-7153.



