Presidente do sindicato dos comerciários fala sobre negociações salariais, jornada 6 por 1 e cenário do emprego em Petrolina

0

As negociações salariais da categoria, o debate nacional sobre o fim da escala 6 por 1 e o atual cenário de contratações no comércio de Petrolina foram os principais temas da entrevista ao programa Nossa Voz, nesta segunda-feira (2), com Dilma Gomes, presidente do sindicato que representa os trabalhadores do setor na cidade e em municípios da região.

A dirigente foi reconduzida ao cargo em eleição realizada no dia 11 de fevereiro, para um mandato de três anos, e afirma que o foco agora está voltado às convenções coletivas.

“Estamos iniciando mais um mandato com muita responsabilidade. A prioridade neste momento é a negociação salarial, porque a nossa data-base é março. Já estamos na data-base e algumas categorias, inclusive em outras cidades da nossa base, tiveram mudança de calendário. Então a gente precisou antecipar discussões e organizar essas mesas de negociação.”

Segundo Dilma, o sindicato apresentou proposta de reajuste de 8%, enquanto o setor patronal tem sinalizado com índices menores. No segmento de material de construção, a convenção já foi fechada.

“Nossa proposta foi de 8%, mas já estamos recebendo contrapropostas na faixa de 4%. No setor de material de construção fechamos com 4% para quem ganha acima do piso e conseguimos estabelecer o salário em R$ 1.700. Mantivemos também os benefícios já assegurados anteriormente.”

Além do reajuste, a entidade busca ampliar benefícios nas convenções, especialmente para trabalhadores que ainda não recebem auxílio alimentação.

“Muitas empresas não oferecem ticket ou vale-refeição. Conseguimos incluir em algumas cidades uma ajuda alimentação de R$ 80 a R$ 100. Pode parecer um valor pequeno, mas para quem ganha pouco faz diferença no fim do mês. Também mantivemos o pacote de benefícios com assistência à saúde, odontológica e auxílio-natalidade de R$ 600, além de kit para o recém-nascido.”

Escala 6 por 1

Outro ponto abordado foi a proposta de mudança na jornada 6 por 1, que prevê alteração no modelo em que o trabalhador atua seis dias consecutivos para descansar apenas um.

O sindicato se posiciona favorável à discussão.

“Somos favoráveis à mudança. O trabalhador do comércio já trabalha de segunda a sábado e tem só o domingo para descansar. No caso das mulheres, que são maioria no setor, existe ainda a dupla jornada. Uma alteração nesse modelo pode trazer mais qualidade de vida, mais tempo com a família e mais dignidade.”

Apesar do apoio, Dilma reconhece que a proposta ainda enfrenta resistência em nível nacional.

“Não é uma discussão simples. Já avançou em algumas etapas, mas sabemos que no Congresso há resistência. Não será algo rápido. Mesmo assim, entendemos que é uma pauta importante e estamos acompanhando.”

Até o momento, segundo ela, o tema não foi aprofundado nas mesas de negociação locais.

Contratações e instabilidade

Sobre o mercado de trabalho em Petrolina, a avaliação é de cautela. As contratações de fim de ano foram majoritariamente temporárias e parte dos vínculos já foi encerrada.

“Em novembro e dezembro houve contratações, mas muitos contratos eram de 30 ou 45 dias. Depois do período sazonal, poucos trabalhadores permaneceram. O cenário ainda é de instabilidade e isso preocupa.”

A presidente citou fatores econômicos e climáticos que podem impactar o comércio da região.

“Petrolina tem forte ligação com a produção agrícola, principalmente uva e manga. Chuvas excessivas provocam perdas e isso repercute na economia local. Além disso, o cenário nacional e internacional também interfere. O medo é de que essa instabilidade afete o emprego.”

O número de associados ao sindicato varia ao longo do ano devido à rotatividade no setor. No último levantamento, feito durante o processo eleitoral, cerca de mil trabalhadores estavam aptos a votar.

Ao final da entrevista, Dilma reforçou o compromisso com a categoria.

“Estamos visitando os trabalhadores, ampliando a sindicalização e buscando melhorar o que ainda não conseguimos avançar. Pedimos paciência nas negociações, porque ainda vamos sentar com outros setores ao longo de março. Nosso compromisso é garantir direitos e fortalecer a categoria.”