Professores, estudantes e trabalhadores da educação da rede estadual participaram, nesta quinta-feira (12), de um dia de mobilização em escolas de Pernambuco. A ação faz parte da campanha salarial da categoria e ocorre em diversas unidades do estado. No Sertão, o movimento envolve 63 escolas, sendo 45 apenas em Petrolina.
De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Pernambuco (Sintepe), o objetivo é discutir dentro das próprias escolas as condições de trabalho, a estrutura das unidades e as reivindicações da categoria relacionadas à valorização profissional.
Segundo o coordenador do sindicato em Petrolina, Robson Nascimento, a mobilização ocorre cerca de um mês após a entrega da pauta de reivindicações ao Governo de Pernambuco.
“Nós estamos vivenciando nesse momento a campanha salarial educacional 2026. Essa campanha começou agora no mês de fevereiro e, há cerca de 30 dias, nós entregamos a pauta de reivindicação ao Governo do Estado de Pernambuco. Nossa pauta trata principalmente da valorização da carreira dos trabalhadores em educação, o que inclui a questão salarial, o reajuste do piso e também a recomposição de perdas salariais de anos anteriores. Além disso, estamos cobrando a conclusão da reformulação do plano de cargos e carreira, que é uma demanda antiga da categoria e envolve professores, trabalhadores administrativos e analistas educacionais.”
Ainda de acordo com o sindicato, a campanha também inclui reivindicações relacionadas à estrutura das escolas e às condições de ensino.
“A campanha salarial não trata apenas de salário. Ela também discute as condições de funcionamento das escolas e de ensino para os estudantes. Estamos cobrando melhorias estruturais nas unidades, climatização das salas de aula e melhores condições de trabalho para quem atua na educação. A governadora assumiu o compromisso de climatizar todas as salas de aula da rede estadual, mas até agora essa promessa ainda não foi cumprida, e isso tem gerado muitas dificuldades no cotidiano das escolas.”
O sindicato afirma que, em Petrolina, algumas unidades enfrentam problemas estruturais que impactam diretamente o ambiente de ensino.
“Aqui em Petrolina nós temos, por exemplo, a Escola Nova da Areia Branca, que é uma escola nova, mas que atualmente funciona em um prédio alugado, em um galpão adaptado na região do Dom Avelar. Esse espaço passou dois anos em reforma para receber os estudantes, mas mesmo após a entrega ainda apresenta problemas estruturais. As divisórias são feitas de material muito quente, o teto é de zinco e os aparelhos de ar-condicionado, apesar de instalados, não estão funcionando.”
Robson Nascimento afirma que a falta de infraestrutura tem afetado diretamente estudantes e professores, especialmente nos períodos mais quentes do dia.
“Os professores relatam que, no período da tarde, o calor dentro das salas é praticamente insuportável. Em muitos momentos, os profissionais acabam passando mais tempo tentando oferecer algum conforto emocional aos estudantes, conversando e tentando manter os alunos em sala, porque as condições realmente dificultam a permanência e o aprendizado. Isso mostra como a questão estrutural precisa ser tratada com urgência.”
Outro ponto apontado pelo sindicato é a dificuldade para colocar em funcionamento os sistemas de climatização em algumas escolas.
“Existem escolas onde os aparelhos de ar-condicionado já estão instalados, mas não podem ser utilizados porque a subestação elétrica necessária para o funcionamento ainda não foi ativada. Em alguns casos, o governo precisa resolver questões com a concessionária de energia para liberar essa estrutura, mas isso não tem avançado. Enquanto isso, estudantes e professores continuam enfrentando salas de aula extremamente quentes.”
A segurança nas escolas também foi citada como preocupação pela categoria. Segundo o sindicato, a paralisação de trabalhadores terceirizados tem impactado o funcionamento das unidades.
“Hoje nós temos uma situação preocupante em algumas escolas porque vigilantes e porteiros estão paralisados há vários dias. Isso significa que existem unidades que não têm nenhum profissional na portaria para controlar a entrada de pessoas, receber pais ou orientar visitantes. Em muitos casos, outros trabalhadores da escola acabam assumindo essa função de forma improvisada, o que mostra como a falta desses profissionais compromete o funcionamento adequado da escola.”
Além disso, o sindicato relata que há insatisfação entre trabalhadores terceirizados responsáveis por serviços essenciais.
“As merendeiras também têm relatado dificuldades relacionadas a atraso de pagamentos e benefícios, como auxílio-alimentação e auxílio-transporte. Quando esses profissionais começam a falar em paralisação, todo o funcionamento da escola acaba sendo afetado, porque a merenda escolar e outros serviços básicos fazem parte do dia a dia dos estudantes. Tudo isso interfere diretamente no ambiente de ensino.”
Nesta semana, a categoria já realizou uma paralisação estadual na terça-feira (10), com ato em frente à Assembleia Legislativa de Pernambuco. A mobilização desta quinta-feira ocorre dentro das próprias escolas.
“O ato do dia 10 foi realizado em frente à Assembleia Legislativa e teve como objetivo cobrar do governo mais respeito aos profissionais da educação e avanços na pauta da campanha salarial. Já o movimento de hoje acontece dentro das escolas, com professores, estudantes e trabalhadores debatendo a realidade de cada unidade e levantando os principais problemas enfrentados no dia a dia.”
O sindicato informou que novas mobilizações já estão previstas caso não haja avanço nas negociações.
“Esse é um ano eleitoral e, por isso, o período de negociação é muito curto. Toda a parte financeira da campanha salarial precisa estar resolvida até o início de abril, com lei aprovada e sancionada. Isso significa que nós temos basicamente o mês de março para negociar com o governo e chegar a um acordo.”
Caso não haja resposta do governo estadual nos próximos dias, a categoria pretende intensificar os protestos.
“Se não houver avanço nas negociações, nós já temos uma nova paralisação estadual marcada para o dia 18 de março. A ideia é ampliar as mobilizações para pressionar o governo a abrir diálogo e apresentar respostas concretas à pauta da categoria. O tempo está passando e precisamos de soluções rápidas para garantir melhores condições de trabalho e de ensino nas escolas públicas.”
O sindicato afirma que permanece aberto ao diálogo com o governo estadual e espera que reuniões de negociação sejam realizadas nos próximos dias.



