Linha fina: Impasse entre União Brasil e PP adiou o fechamento da ata; Fernando Filho e Lula da Fonte foram escalados para tentar um acordo até as 17h.
A Federação União Progressista, formada pelo União Brasil e pelo PP, iniciou nesta quarta-feira (5) a convenção estadual destinada a oficializar suas candidaturas e definir o posicionamento na eleição majoritária de Pernambuco. O encontro, porém, não chegou a uma conclusão durante a manhã e teve a formalização da ata transferida para as 17h, diante da falta de consenso entre os dois partidos sobre a coligação com a governadora Raquel Lyra.
Nem mesmo a presença do senador Ciro Nogueira, copresidente nacional da federação, foi suficiente para encerrar o impasse. Após uma reunião fechada com deputados do PP e do União Brasil, os deputados federais Fernando Filho e Lula da Fonte foram encarregados de intermediar as negociações.
O principal ponto de divergência não é a indicação do deputado federal Eduardo da Fonte ao Senado. O União Brasil reconhece o direito de o PP apresentar o nome do parlamentar, mas ainda não assumiu compromisso de apoio à candidatura nem confirmou a participação na coligação majoritária de Raquel Lyra.
Presidente estadual do União Brasil, Miguel Coelho não compareceu à convenção. Ele foi representado pelos irmãos Fernando Filho, deputado federal, e Antônio Coelho, deputado estadual.
Na terça-feira (4), Miguel anunciou apoio a Mendonça Filho, do PL, para uma das vagas ao Senado e afirmou que seu grupo ainda analisaria o destino do segundo voto. A decisão ampliou o distanciamento entre o ex-prefeito de Petrolina e Eduardo da Fonte, escolhido pela governadora para integrar a chapa governista.

União Brasil admite candidatura de Eduardo, mas não confirma apoio
Durante a convenção, Fernando Filho afirmou que o União Brasil não se opõe ao lançamento de Eduardo da Fonte pelo PP. A divergência está na decisão de integrar formalmente a coligação de Raquel Lyra. “A gente sempre defendeu que os dois partidos têm o direito de apresentar seus candidatos. Não é porque Miguel não é candidato que a gente acha que Eduardo da Fonte não possa ser. Os progressistas querem coligar com a governadora e nós ainda estamos na posição de não coligar”, declarou.
Segundo Fernando Filho, o União Brasil passou os últimos meses ouvindo que seu posicionamento não seria decisivo para a montagem da aliança. Agora, de acordo com o deputado, a participação da legenda passou a ser tratada como importante pela equipe jurídica da governadora. “O que a gente sempre ouviu, ao longo desses seis meses, era que a posição do União Brasil era irrelevante nessa coligação e que estava tudo garantido. Parece que fizeram algumas reflexões, pelo lado dos assessores jurídicos da governadora, de que é importante ter o apoio da União”, afirmou.
Uma das versões apresentadas nos relatos sobre a reunião aponta que o grupo ligado aos Coelho teria concordado com a aliança em torno da reeleição de Raquel Lyra e reconhecido o direito de Eduardo da Fonte disputar o Senado, mas não quis assumir compromisso eleitoral com o candidato do PP.
Outra informação divulgada durante a convenção indica que Miguel encaminhou, em nome do União Brasil, uma proposta para que a federação não integrasse formalmente a coligação majoritária da governadora. O posicionamento teria sido apresentado por Fernando Filho e Antônio Coelho, provocando forte reação entre os participantes.
As duas versões convergem em um ponto: o União Brasil não havia confirmado, até o encerramento das atividades da manhã, o apoio formal da federação à chapa completa de Raquel Lyra.
Ciro cobra respeito à maioria
Ciro Nogueira defendeu a continuidade do diálogo, mas ressaltou que as decisões internas precisam considerar a posição majoritária da federação em Pernambuco. “O diálogo é necessário, mas é preciso obedecer à decisão da maioria”, afirmou.
O senador também pediu que os interesses do estado fossem colocados acima dos projetos individuais e demonstrou confiança na candidatura de Eduardo da Fonte. “É preciso colocar os interesses de Pernambuco acima dos interesses pessoais. Tenho certeza de que se chegará a um entendimento e de que Eduardo da Fonte será eleito e será o nosso líder no Senado no próximo ano”, declarou.
Com compromissos em outros estados, Ciro permaneceu pouco tempo no local da convenção, no Pina, e seguiu para o aeroporto. As negociações continuaram sob a responsabilidade das lideranças estaduais.
Eduardo da Fonte minimiza divisão
Eduardo da Fonte evitou reconhecer publicamente a existência de uma ruptura dentro da federação. Segundo ele, o período de negociação já estava previsto na programação da convenção, cuja ata somente seria encerrada às 17h. “Quando a gente chama uma convenção partidária e coloca na ata que termina às 17h, não tem adiamento de nada. Abrimos os trabalhos com o presidente do PP, Ciro Nogueira, e Fernando Filho disse que é quem vai tratar dos encaminhamentos”, afirmou.
O deputado também defendeu uma saída conjunta e vinculou a união da federação ao fortalecimento da candidatura de Raquel Lyra. “A palavra de ordem é união, e a expectativa é que saiamos daqui mais fortes para mostrar o nosso trabalho em todo o estado e o trabalho da governadora Raquel Lyra, que está transformando Pernambuco. Todos sairemos vencedores”, declarou.
Candidatura de Miguel à Câmara entra na negociação
Além da composição majoritária, a possibilidade de Miguel Coelho disputar uma vaga de deputado federal também teria entrado nas conversas entre PP e União Brasil.
Segundo um dos relatos sobre a reunião, o PP teria deixado em aberto a proposta de garantir espaço na chapa proporcional para uma eventual candidatura de Miguel à Câmara dos Deputados. Em contrapartida, Ciro Nogueira teria defendido que a federação deixasse a convenção unida, sem divisões entre suas principais lideranças.
Miguel já admitiu que vem recebendo apelos para concorrer a deputado federal, mas afirmou que somente aceitará a candidatura caso exista uma construção coletiva e a avaliação de que sua entrada fortalecerá o União Brasil.
O ex-prefeito, entretanto, ainda não confirmou que estará nas urnas. No ato de apoio a Mendonça Filho, reiterou o compromisso com a candidatura à reeleição do irmão Fernando Filho, destacou o nome de Juliana Chaparral para a Câmara e afirmou que seu grupo analisaria quem receberá o segundo voto ao Senado.
A convenção chegou ao período da tarde sem uma definição definitiva. A expectativa ficou concentrada na retomada das negociações e na formalização da ata, prevista para as 17h, quando PP e União Brasil precisariam decidir se sairiam unidos em torno da chapa de Raquel Lyra ou se manteriam posições distintas dentro da própria federação.



