Tarifa zero: Ministro André de Paula faz “embarque” de uvas para Europa e abre nova era para o Vale do São Francisco

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A formalização do primeiro embarque institucional de uvas frescas com tarifa zero para a União Europeia foi tratada, em Petrolina, como um marco para a fruticultura do Vale do São Francisco e para o agronegócio brasileiro. O anúncio ocorreu durante a Caravana Frutas – Do Vale para o Mundo, realizada no auditório da Valexport, com presença de representantes do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), da ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Atração de Investimentos), da Abrafrutas (Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados) e de lideranças políticas e empresariais da região.

Na prática, o benefício significa que a uva brasileira passa a entrar no mercado europeu sem a cobrança da tarifa de importação que antes era de 11%, o que amplia a competitividade do produto nacional frente a concorrentes como Chile, Peru, África do Sul e Estados Unidos. Para uma região que tem na fruticultura irrigada um dos seus principais motores econômicos, o impacto é direto sobre preço, volume exportado, geração de renda e empregos.

O presidente da Abrafrutas, Waldyr Promicia, destacou que a medida reconhece a força produtiva e tecnológica do Vale. “Petrolina foi o que ensinou o Brasil a exportar”, afirmou, ao defender atenção especial do governo para a região. Segundo ele, o polo do São Francisco “emprega, leva tecnologia, leva orgulho do Brasil para fora” e se consolidou como referência internacional em produção de frutas.

A relevância econômica da tarifa zero foi detalhada com mais ênfase pelo presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller. Ele lembrou que a Europa importa bilhões de dólares em frutas por ano e que a uva brasileira passa agora a disputar esse mercado em condições mais favoráveis. “Não é que vai ser zero, já é zero. Era 11% e agora é zero”, resumiu.

Müller foi além e projetou o efeito que uma ampliação modesta da presença brasileira no mercado europeu pode causar. Segundo ele, hoje o Brasil tem participação de cerca de 1,6% nesse mercado de uvas. Se esse percentual subir para 5%, o resultado pode representar algo em torno de US$ 184 milhões, perto de R$ 1 bilhão a mais circulando na região. Mesmo em uma projeção mais conservadora, com participação de 3%, o país praticamente dobraria suas exportações de uva para a Europa. “É disso que nós estamos falando”, reforçou.

Ao destacar a importância do acordo, o vice-prefeito de Petrolina, Ricardo Coelho, disse que a tarifa zero mexe diretamente com a capacidade de competição do Vale no mercado internacional. “A gente vai ter uma fruta competitiva”, afirmou. Para ele, o efeito vai muito além da formalização do acordo. “Aumenta a comercialização” e melhora a disputa com frutas vindas de outros países. “Isso aumenta, com certeza, além da renda aqui, além do valor agregado da fruta, a gente consegue vender mais toneladas para a Europa”, disse.

O presidente do Conselho de Administração da Embrapa, Guilherme Coelho, tratou o momento como resultado de uma luta antiga e lembrou que a isenção tarifária corrige uma distorção histórica. Segundo ele, enquanto outros países já exportavam sem imposto para a União Europeia, a uva brasileira ainda carregava esse custo. “A gente precisa zerar o imposto da uva”, recordou, ao rememorar articulações feitas no passado. Na avaliação dele, a conquista desta vez cria um novo patamar para o setor. “Isso é um marco, isso é uma coisa importante”, afirmou.

Já o ministro da Agricultura, André de Paula, enfatizou que o efeito da tarifa zero é imediato e concreto para quem produz e exporta. “A partir do primeiro momento, está aqui nas nossas uvas que antes eram taxadas com 11% e agora terão uma taxação de zero”, afirmou. Segundo ele, a mudança pesa ainda mais quando se considera o perfil das exportações da região. “Isso faz diferença quando a gente sabe que 75% do que a gente exporta aqui, exporta para a Europa”, disse.

O ministro resumiu o ganho esperado. “A gente agora vai exportar sem esse ônus, com melhores condições de competitividade e com maior retorno para o produtor”, declarou o ministro, reconhecendo que a conquista também foi apresentada como resultado de uma articulação mais ampla entre abertura de mercados e promoção comercial.

Nesse contexto, a tarifa zero aparece não apenas como uma vitória tributária, mas como um movimento estratégico capaz de fortalecer toda a cadeia produtiva. Mais competitividade significa mais espaço para o produto brasileiro, maior circulação de divisas no Vale do São Francisco e estímulo a investimentos em tecnologia, logística e ampliação do mercado.