Univasf inaugura no Campus Juazeiro primeiro Banco Vermelho

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Com a presença de estudantes, docentes, técnicos e funcionários terceirizados a Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf) inaugurou na manhã da segunda-feira (9), o primeiro banco vermelho da Instituição, situado no bloco de salas de aula do Campus Juazeiro. Estampada no encosto do banco está a frase “A relação abusiva de hoje pode ser o feminicídio de amanhã. Sentar e refletir. Levantar e agir”, num clamor à ação por parte da sociedade para combater a violência contra a mulher. A ação integra um movimento nacional de conscientização e combate ao feminicídio, coordenado pelo Instituto Banco Vermelho (IBV) em parceria com a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), que irá instalar bancos nas Instituições Federais de Ensino Superior (Ifes) de todo o país.


A estudante Camila Santos participou da inauguração.

Para a estudante de Engenharia de Produção da Univasf Camila Santos, é importante ter campanhas como essa na Universidade e na sociedade de maneira geral. “Hoje, com tantas notícias ruins que a gente tem tido sobre casos de feminicídio e violências constantes, as mulheres se sentem inseguras”, comentou Camila.  É preciso, na opinião dela, conscientizar as mulheres sobre o ciclo da violência e a importância de pedir ajuda. “Também é muito importante conscientizar os homens de que nós somos pessoas dignas de vida e de respeito. Uma campanha como essa atinge todo mundo. Quem passar pelo banco vai parar para ver o que está sendo propagado e incentivado pela campanha, chamando a atenção de todos”, disse a discente.

A campanha do banco vermelho é realizada na Univasf por meio da Superintendência de Políticas Afirmativas, Antirracismo e Diversidade (Spaadi) em parceria com a Prefeitura Universitária (PU). A diretora de Gênero e Diversidade da Spaadi, Paula Galrão, frisou que a campanha faz parte de um conjunto de ações do governo federal de incentivo ao debate sobre gênero e diversidade e ao combate à violência e ao feminicídio no país. “Precisamos sensibilizar as mulheres e os homens, que precisam tomar essa responsabilidade para si. O feminicídio é a ponta de um iceberg que diz respeito a uma educação desigual de meninas e meninos, que futuramente serão homens e mulheres”, disse a docente.


O evento contou com a presença de estudantes, docentes, técnicos e funcionários terceirizados.

Paula Galrão reforçou também a importância de cada pessoa ser multiplicadora do canal de denúncia de casos de violência, que é o Disque 180. “Precisamos estar vigilantes, atentas. E esse banco vermelho está aqui para gente não esquecer, nenhum dia, sobre a epidemia de feminicídio que acontece em nosso país. Esse tem que ser um compromisso diário de todos nós”, enfatizou.

O lançamento do banco vermelho na Univasf também contou com a presença da secretária da Mulher e Juventude de Juazeiro, Érica Daiane. Ela destacou que o banco vermelho da Univasf é o primeiro de Juazeiro e informou que a prefeitura também irá aderir à campanha com a instalação de bancos em locais públicos da cidade. “Precisamos investir recursos humanos e financeiros para ter nossas mulheres vivas. Essa luta não é só da mulher. É preciso que os homens se juntem a nós. Por isso, os estudantes, os professores, os funcionários precisam trazer uma pessoa, a cada dia, para mostrar o banco, sentar e conhecer a campanha. E agir e fazer alguma coisa em defesa das mulheres”, concluiu a secretária.

“Esta é a primeira ação dessa campanha aqui na nossa Universidade e ela vai se estender para os outros campi. O estado brasileiro tem convocado as Universidades Federais para participar dessa luta e nós não podemos ficar de fora desse enfrentamento”, disse o reitor Telio Nobre Leite. Ele ressaltou que as Universidades e os Institutos Federais estão estabelecendo um protocolo de enfrentamento à violência contra a mulher que será entregue ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 25 de março.  “Todas as organizações públicas e privadas têm que unir forças para que possamos reduzir os números da violência contra a mulher na nossa sociedade, afirmou.

Banco Vermelho – O projeto originado na Itália em 2016 veio ao Brasil pelas fundadoras do IBV, Andrea Rodrigues e Paula Limongi, sendo oficializado pela Lei nº 14.942/2024. O Instituto é uma entidade brasileira sem fins lucrativos e suprapartidária dedicada a prevenir o feminicídio e a violência de gênero através de conscientização, intervenções urbanas e educação. O IBV oficializou a instalação de bancos vermelhos em locais públicos como memoriais para alertar sobre o “sangue” das vítimas e divulgar o Disque 180.