A defesa de uma indicação apresentada pela vereadora Cláudia Ferreira na sessão desta quinta-feira (11), na Câmara Municipal de Petrolina, provocou reação do vereador Wenderson Batista, conhecido como Pé de Galo, e expôs, mais uma vez, a disputa por protagonismo político em torno de demandas atendidas pelo poder público.
A indicação de Cláudia pede ao prefeito Simão Durando e à Secretaria de Serviços Públicos e Defesa Civil a instalação de grades de proteção e de iluminação pública na passarela sobre o canal da Rua Wilson Cavalcante, entre os bairros Vila Marcela e Loteamento Padre José de Castro.
Ao defender a proposição, a vereadora afirmou que o pedido surgiu diretamente da escuta dos moradores e relembrou reuniões realizadas na comunidade antes mesmo da formalização da associação local. “Esse pedido foi um pedido dos moradores e eu quero aqui frisar sobre isso. Nós estivemos lá nesse dia; eu, Roberto da Gráfica, Rogério Passos e Wanderley Alves; e a gente ouviu muito a população. E um desses pedidos foi justamente essa ponte que ligava esses dois bairros”, afirmou.
Cláudia também fez questão de destacar que a obra já executada no local não surgiu de exposição em redes sociais, mas de articulação política com base na escuta comunitária. “Não teve aqui essa coisa de dizer: ‘Ah, vou botar nas redes sociais, vou chamar a atenção e fazer’. Não, foi pedido porque nós escutamos os moradores”, declarou.
No trecho que mais chamou atenção, a vereadora sinalizou incômodo com a tentativa de terceiros de assumirem a paternidade da intervenção. “A partir de hoje, inclusive eu como vereadora, vou me posicionar ainda mais quando eu fizer um pedido para depois não aparecer pai e padrinhos”, disse.

A fala provocou reação imediata de Wenderson Batista, que usou o tempo de defesa das suas reivindicações para criticar o que chamou de disputa por autoria de obras públicas e reforçou a ideia de que vereadores podem pedir, mas não executam obras.
“Minha gente, são 23 vereadores. Eu acho que Petrolina deveria, se pudesse, até aumentar. A cidade é grande. Aqui não tem essa que ‘eu pedi ou que eu moro num bairro, uma comunidade e só eu tenho que fazer’, não. Todo mundo tem que pedir e tem que fazer”, afirmou.
Wenderson também alegou que uma obra pública pode não sair em prazo tão curto apenas porque foi solicitada recentemente. “Será que a pessoa que pede uma obra pública hoje, com 30 dias está sendo executada? Esse projeto foi resolvido em 30 dias? E as licenças ambientais e os recursos e licitações entre tantos outros entraves?”, disse.
Na parte mais direta da resposta, o vereador buscou delimitar o papel institucional de cada agente político. “Ninguém queira aqui carregar a cruz, porque quem faz obra, eu só conheço três conforme a Constituição: Se for municipal, prefeito. Se for estadual, governadora. Se for federal, presidente. Legislador, tchau e obrigado”, disparou.
Após a fala de Wenderson, Cláudia Ferreira pediu direito de resposta, alegando ter sido citada, mas não foi atendida pela Mesa Diretora.
Procurada pelo Nossa Voz, a vereadora afirmou que situações como essa fazem parte do ambiente legislativo, mas reforçou que seguirá defendendo sua atuação nos bairros da cidade, especialmente na Zona Leste. “Sempre vão acontecer essas questões dentro da Câmara quando a gente tiver discutindo as nossas proposições”, afirmou.
Segundo ela, o importante é manter o diálogo e o compromisso com quem cobra soluções. “Na região a qual faço parte, eu estou como representante oficial na zona leste, e me posiciono sim e sempre falo e não é de brincadeira. Eu sou representante legítima, porque eu estou lá dentro vendo as demandas da população”, declarou.



