Moradores de diversos bairros de Petrolina seguem enfrentando os reflexos das fortes chuvas que atingiram o município nos últimos dias. Alagamentos, problemas na drenagem, esgoto a céu aberto, lixo acumulado e falta de iluminação pública estão entre as principais reclamações. Nesta segunda-feira (23), o secretário de Serviços Públicos e também responsável pela Defesa Social, Alison Oliveira, falou sobre o cenário e as medidas adotadas pela prefeitura.
Durante entrevista ao programa Nossa Voz, o secretário reconheceu os transtornos e destacou que o volume de chuva registrado superou a capacidade da cidade.
“Tivemos cerca de mais de 200 milímetros de chuva em apenas sete dias. Para se ter uma ideia, isso representa praticamente metade do volume esperado para todo o ano. Nenhuma cidade está preparada para receber uma quantidade de chuva tão acima da sua capacidade sem sofrer impactos.”
Segundo ele, apesar dos prejuízos materiais e dos transtornos, não houve registro de famílias desalojadas, mas os problemas estruturais ficaram evidentes.
“É natural que, após um volume como esse, a cidade enfrente consequências. O pós-chuva é o momento mais crítico, quando aparecem buracos, crescimento do mato e falhas na infraestrutura. Estamos atuando para minimizar esses efeitos o mais rápido possível.”
Drenagem ainda é desafio
Questionado sobre a capacidade de drenagem do município, o secretário afirmou que Petrolina avançou recentemente com a criação de um plano específico para o setor, considerado inédito na cidade.
“Hoje Petrolina tem, pela primeira vez, um plano de macro e microdrenagem. Isso funciona como um projeto que orienta onde e como as obras precisam ser feitas. Já realizamos intervenções importantes, como no Dom Avelar e no canal da Redenção, mas ainda há muito a avançar.”
Ele também destacou que, por ser uma cidade plana, Petrolina enfrenta dificuldades naturais no escoamento da água da chuva.
Esgoto preocupa moradores
Um dos pontos mais criticados pela população, especialmente no bairro Vale do Grande Rio, é o extravasamento de esgoto. O secretário atribuiu o problema ao colapso da rede após as chuvas.
“A rede de esgoto sofreu muito com o volume de água. Em vários pontos, houve sobrecarga e extravasamento. Estamos em contato constante com a Compesa para que os reparos sejam feitos o mais rápido possível, mas é um problema que precisa de mais celeridade.”
Ele citou ainda casos críticos em outras regiões da cidade, como no Jardim Guararapes, onde ruas chegaram a ficar tomadas por esgoto.
Limpeza e recuperação
De acordo com Alison Oliveira, a prefeitura ampliou as equipes de limpeza urbana e o uso de maquinário para acelerar a recuperação da cidade.
“Estamos começando pelas avenidas principais, onde há maior fluxo, e avançando para os bairros. Já atuamos em regiões como Rio Corrente e Pau Ferro, e vamos chegar a outras localidades nos próximos dias. Também dobramos a quantidade de tratores para serviços de roço.”
O secretário também fez um apelo à população quanto ao descarte irregular de lixo.
“Infelizmente, muitas vezes a gente precisa refazer um serviço que já foi feito por conta do descarte inadequado. A colaboração da população é essencial para que a cidade avance.”
Iluminação e ocupações irregulares
Sobre a falta de iluminação em algumas áreas, o gestor explicou que há limitações em regiões ainda não regularizadas.
“Existem locais que ainda são ocupações e não têm rede elétrica formalizada. Nesses casos, a prefeitura não consegue instalar iluminação pública até que a situação seja regularizada.”
Prazo para normalização
A gestão municipal estima um prazo de até dois meses para normalizar os principais problemas causados pelas chuvas, especialmente buracos e danos na infraestrutura.
“Nossa meta é resolver o grosso das demandas em até 60 dias. É um prazo realista diante da quantidade de problemas que surgiram após as chuvas. Estamos trabalhando para acelerar, mas é importante ter responsabilidade com o que é possível executar.”



