Ivan Moraes propõe programa estadual da cannabis medicinal e tarifa zero para transporte público

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O candidato ao governo de Pernambuco, Ivan Moraes (PSOL), em entrevista ao programa Nossa Voz desta terça-feira (25). Crédito: Reprodução/YouTube Grande Rio FM

Em entrevista durante sabatina no Nossa Voz desta terça-feira (25), o candidato ao governo de Pernambuco falou sobre projeto de plantio controlado de cannabis para fins medicinais no estado, da viabilidade orçamentária para a gratuidade das passagens de ônibus, além de prioridades em pautas na área da saúde, educação e segurança pública 

Eleições 2026 – O programa Nossa Voz recebeu nesta terça-feira (25) o candidato, Ivan Moraes (PSOL), dando prosseguimento à série de entrevistas com os postulantes ao Governo de Pernambuco realizada pela Grande Rio FM 100,7. Sob a mediação das apresentadoras Neya Gonçalves e Karine Paixão, o candidato participou de entrevista por meio de vídeo-conferência, com duração de 50 minutos. Conheça algumas das propostas discutidas pelo candidato durante a entrevista:

Programa Estadual da Cannabis Medicinal

Em seu projeto de governo, Ivan Moraes apresenta o Programa Estadual da Cannabis Medicinal. Durante a entrevista, o candidato iniciou destacando que a proposta não abrange a legalização do uso da maconha no estado, mas traz uma proposta de produção estadual de remédios à base da erva.

“O plano estadual da cannabis, ou o programa estadual da cannabis é uma proposta revolucionária. Antes de mais nada, eu não estou propondo mudar nenhuma lei federal. O governo do Estado não tem competência para mudar leis federais. O governo do Estado não legaliza a substância. O governo do Estado não regulamenta o uso de medicamentos. Então, minha tarefa não é essa. Eu estou falando é de remédios”, explicou.

Segundo Moraes, a proposta busca promover o plantio controlado da erva no estado, através da regularização de cooperativas voltadas para esse fim, além da fabricação do remédio através do laboratório público estadual.

“O que eu estou propondo é que o Estado assuma a responsabilidade sobre convênios com associações rurais, comunidades indígenas, quilombolas, universidades, pequenos grupos que se organizam para plantar em cooperativas. Eu sei que há associações canábicas, inclusive em Petrolina, que eu conheço bem, que tem ganhado prêmios, que tem produzido medicamentos e ajudado muita gente. Então, a gente vai ter a planta produzida de forma organizada, de forma controlada de forma segura e, a partir do Lafepe, que é um laboratório público estadual que já existe e naturalmente distribuindo na farmácia Vivo do SUS e garantindo a venda desse medicamento para o Brasil inteiro e para o exterior, garantindo remédio, emprego e renda para o povo pernambucano”, disse.

Tarifa zero no transporte público

Ivan Moraes defendeu a implementação da Tarifa Zero no transporte público, com foco inicial na Região Metropolitana do Recife (RMR) e propostas de expansão para o transporte intermunicipal por meio de uma empresa pública estadual. O candidato afirmou que o projeto tem viabilidade orçamentária, barateando custos e sem a contratação de novas empresas.

“O sistema rodoviário da região metropolitana do Recife custa em média por ano 1,2, 2 bilhões de reais. Caruaru é bem menos. Caruaru é 150 milhões por ano. Petrolina menos ainda, não chega a 150 milhões por ano. Então, vamos ver aí um desafio da gente juntar 1.2, 1.3 bi por ano para pagar essa brincadeira toda. Para começar a conversa, o Estado de Pernambuco hoje, enquanto nós conversamos, já bota 400 milhões nesse sistema. Então, eu não estou falando de uma empresa nova, pelo contrário. Retira esses 400 milhões milhões da conta. Faz de conta que o Estado vai economizar esse dinheiro. Veja que eu não estou mais citando despesa, eu estou citando a economia”, disse.

De acordo com o candidato, com a gratuidade do serviço, como alternativa ao pagamento de vale-transporte, as empresas pagariam uma taxa mensal por funcionário como contribuição para o fundo estadual do transporte metropolitano.

“Ao invés das empresas pagarem o vale-transporte, as empresas que têm a partir de 10 funcionários registrados, vão pagar uma taxa por funcionário por mês para criação de um fundo estadual do transporte metropolitano. As empresas menores, as que tem apenas 10 funcionários registrados, elas pagam menos. Então, pode ser R$ 60, R$ 70 por funcionário por mês”, destacou.

Descentralização dos serviços de saúde

Sobre a área da saúde, o candidato afirmou que, se eleito, trabalhará pelo fortalecimento da atenção básica.

“Eu defendo um investimento robusto do governo do estado junto às prefeituras para que a gente possa ampliar a saúde da família, a chamada atenção básica, que é aquilo que faz com que a pessoa não precise ir para o hospital. Eu não vou ser um governador que vai ter política de doença. O que que é política de doença? A política de doença é quando o governante chega no final do ano e comemora a quantidade de pessoas que foram atendidas no hospital”, afirmou.

“A atenção básica em Pernambuco está na rabeira da cobertura, Pernambuco esta entre os piores estados do país na universalização da atenção básica, vai ser minha prioridade”, acrescentou.

Ivan Moraes também defendeu o fortalecimento da residência médica no estado.

“Avançando na atenção básica, o governo do estado também vai avançar na questão das residências porque quando o estudante termina a medicina, ele ou ela vai fazer uma residência para se especializar. Essas bolsas são pagas pelo estado na maioria das vezes. Então, o estado pode e deve fazer com que haja mais especialidades compatíveis com as nossas necessidades. O custo de medicina que tem nas universidades do São Francisco e também do Sertão Central, ele vai poder ter residências que estão atreladas aos hospitais a partir da necessidade do lugar”, disse.

Segurança pública e combate ao crime organizado

Sobre o plano de governo para a área da segurança pública, especificamente, sobre o combate à violência no interior do estado, o candidato destacou que o crime organizado deve ser combatido na base.

“Existe hoje em Pernambuco e vocês no Sertão tem tido, infelizmente, essa experiência de forma muito aguda, que é uma chegada forte do crime organizado. O crime organizado é que não estava tão organizado assim há 10, 20 anos. Eu entendo que o crime organizado, ele não se combate com bang bang. O nosso policial, ele não tem vida de video game, eu digo isso muito. Então a gente tem que ter uma estratégia inteligente para poder desarmar essa bomba, que é o crime organizado, é que inclusive faz com que o número de assaltos aumente, é o crime organizado que tá muito inserido dentro do tráfico de drogas e a gente precisa acabar com ele”.

Moraes acrescentou: “Defendo um investimento forte tanto nas corregedorias, quanto nos controles internos do governo estadual, para que a gente não deixe passar nenhuma corrupção, nem na cobrança de impostos, nem na fiscalização, nem no combate ao crime. Então, com isso, a gente seca os cofres, a gente responsabiliza as cabeças e a gente tira o controle dos territórios das organizações criminosas. Naturalmente, as nossas polícias, tanto civil quanto a militar, elas precisam estar preparadas, elas precisam ter os melhores equipamentos, elas precisam ter as melhores armas para, entre outras coisas, o crime ser desarmado”, disse.

Desprivatização do saneamento e distribuição de água

Sobre o saneamento e a distribuição de água no estado, Ivan Moraes disse que pretende trabalhar pela desprivatização do sistema que ocorre, segundo ele, através da terceirização de serviços de saneamento básico. Ele disse que realizará auditoria em contratos de parceria público-privada e que buscará soluções contra a concessão da Compesa.

“Primeira coisa, a Compesa não precisava ter sido vendida, ela dava dinheiro, a privatização do serviço de saneamento recente aqui em Pernambuco não deu certo, gastamos muito dinheiro público e é preciso a gente olhar para o problema de verdade, fazendo com que o investimento seja a longo prazo a partir de recursos e fortalecimento da própria empresa pública. É possível reverter sim processos de PPPs, de terceirizações e de privatizações e dá para fazer de acordo com a norma jurídica. Agora, sobre os contratos específicos da Compesa, eu preciso estar dentro para me aliar à Procuradoria do Estado, que é extremamente competente a partir de seus servidores, encontrar é uma saída adequada que não fira nem o cofre público, nem a nossa segurança jurídica”.

Incentivo a empresas com contrapartida social

Sobre a economia, Ivan Moraes afirmou que seu governo trabalhará junto ao empresariado, mas que não haverá incentivo à grandes empresas sem contrapartida social.

“Eu vou fazer um governo que é aliado do empresariado pernambucano, mas não subserviente a ele. O incentivo a grandes empresas que não tem contrapartida vida, social, pública e ambiental, ele está ameaçado. O Estado de Pernambuco executa por ano mais de 10 bilhões de reais, que é 1/6 do nosso orçamento anual com benefícios e incentivos fiscais para grandes empresas. A gente vai auditar esses incentivos. A empresa que anda bem, a empresa que cumpre suas obrigações, a empresa que contrata trabalhadores garantindo seus direitos. A empresa que não agride o meio ambiente, pelo contrário, a empresa que ajuda a partir de políticas ambientais no meio ambiente, essa empresa continua sendo amiga do governo, continua sendo amiga do povo, continua sendo merecedora dos nossos subsídios”, disse.

Confira a entrevista na íntegra

A entrevista completa com o candidato ao governo de Pernambuco, Ivan Moraes (PSOL), no programa Nossa Voz desta terça-feira (25), está disponível no canal da Grande Rio FM, no YouTube, através do link.