Rosarinha Coelho e Maria Elena relataram frustração e falta de clima para permanecer no Recife; parte da comitiva retornou ao Sertão, enquanto outras lideranças ficaram na capital
A retirada da candidatura de Miguel Coelho (União Brasil) ao Senado, anunciada na madrugada deste sábado (1º), alterou completamente o ambiente da convenção estadual do partido e provocou uma reação imediata entre as lideranças de Petrolina que haviam viajado ao Recife para participar do ato.
A convenção estava marcada para as 10h, na sede estadual do União Brasil, no bairro da Boa Vista, e havia sido preparada para homologar Miguel como candidato ao Senado, além das chapas para deputado federal e estadual. O evento também seria uma demonstração da força política do ex-prefeito dentro da legenda e de seu alinhamento com a governadora Raquel Lyra (PSD).
O anúncio da desistência, porém, ocorreu por volta de 1h da manhã, depois de uma reunião de Miguel com Raquel no Palácio do Campo das Princesas. Embora tenha pedido aos aliados que mantenham o apoio à governadora, o recuo provocou abatimento, frustração e o retorno antecipado de parte da comitiva petrolinense.
De acordo com apuração exclusiva do Blog Nossa Voz, Maria Elena, Rosarinha Coelho, Josivaldo Barros, Osório Siqueira, Wanderley Alves e Gabriel Menezes estão entre as lideranças que deixaram o Recife e iniciaram o retorno a Petrolina.
Rosarinha fala em “balde de água fria”
A vereadora Rosarinha Coelho, uma das integrantes mais próximas do grupo político de Miguel, afirmou não ter condições emocionais de permanecer no evento.
“Infelizmente, não tenho clima para ficar. Meu coração não aguenta essas coisas, não”, declarou.
Em outra manifestação, Rosarinha afirmou que a retirada representa uma perda que ultrapassa o projeto pessoal do ex-prefeito e atinge a representação política de todo o Sertão.
“Sou apaixonada pelos meninos. No entanto, posso garantir que a perda é de todo o Sertão. A vontade e a garra com que Miguel estava são diferenciadas. É um verdadeiro balde de água fria para todos nós sertanejos”, afirmou.
A vereadora também questionou o desfecho da articulação e demonstrou insatisfação com as negociações conduzidas nos bastidores. “Meu sentimento hoje é de muita frustração e de que não existe palavra em alguns políticos”, disse.
Maria Elena também deixa o Recife
A vereadora Maria Elena também informou pelas redes sociais que estava retornando a Petrolina. Segundo ela, não havia clima para permanecer na capital depois da retirada da candidatura de Miguel.
A decisão das duas vereadoras demonstra que o pronunciamento do ex-prefeito, embora tenha buscado preservar a unidade da aliança com Raquel Lyra, não foi imediatamente assimilado por todos os integrantes de sua base sertaneja.
Miguel classificou sua candidatura como viável e competitiva, mas afirmou ter recuado para não colocar em risco o projeto de reeleição da governadora. Ele também fez um apelo direto para que prefeitos, vereadores, candidatos e demais lideranças continuem apoiando Raquel.
O pedido, entretanto, encontrou uma base emocionalmente abalada poucas horas depois do anúncio.
Parte do grupo permaneceu na capital
A saída de algumas lideranças não significou uma retirada completa da representação de Petrolina da convenção. Wenderson Batista e Aero Cruz permanecem ao lado do ex-prefeito de Petrolina.
O pré-candidato a deputado estadual, Diogo Hoffmann permanece no Recife e informou que deverá ficar na capital até este domingo (2).
A permanência de Hoffmann possui ainda uma dimensão eleitoral própria. Sua pré-candidatura à Assembleia Legislativa foi construída dentro do União Brasil com o apoio de Miguel Coelho e do deputado federal Fernando Filho, e a convenção deste sábado também é responsável pela definição das chapas proporcionais do partido.
Convenção perde seu principal ato político
O encontro do União Brasil havia sido concebido como a largada oficial da candidatura de Miguel ao Senado. O material de divulgação apresentava o ex-prefeito ao lado de Raquel Lyra e já o identificava como candidato, transmitindo a imagem de uma composição fechada.
A retirada anunciada horas antes transformou o objetivo político da convenção. Sem a candidatura majoritária que mobilizou prefeitos, vereadores e lideranças de várias regiões, o ato passou a se concentrar nas chapas proporcionais e na manutenção formal do apoio à governadora.
Miguel disputou durante meses com Eduardo da Fonte (PP) a indicação da Federação União Progressista para uma das vagas ao Senado. Em junho, chegou a afirmar que não abriria mão da candidatura, ainda que fosse necessário concorrer de forma avulsa.
Dias antes da desistência, o ex-prefeito ainda dizia que Raquel mantinha o compromisso com sua candidatura e defendia uma solução que preservasse os três nomes ligados à base: Miguel, Eduardo e Túlio Gadêlha.
A decisão da madrugada, portanto, não foi apenas uma mudança de calendário. Representou o encerramento de uma pré-campanha sustentada por meses e que havia mobilizado fortemente o grupo político de Petrolina.



