A cidade de Petrolina relembrou, neste domingo (5), o centenário de nascimento de Geraldo Coelho, um dos nomes mais marcantes da história política e administrativa do município. Conhecido como “Trator do Sertão”, ele é apontado como símbolo de uma geração que apostou na força das obras estruturantes e na transformação social por meio da política.
Nesta segunda-feira (6), o programa Nossa Voz dedicou uma edição especial para discutir o legado deixado por Geraldo Coelho. Participaram da entrevista o vice-prefeito de Petrolina e neto do homenageado, Ricardo Coelho, além de representantes da Fundação Nilo Coelho: Beatriz Santana e José Alberto.
Durante a entrevista, Ricardo Coelho destacou a dimensão pessoal e familiar do avô, além da influência direta na sua formação como homem público.
“Falar do meu avô é revisitar ensinamentos que me moldaram como homem público e como pessoa. Ontem foi um dia muito especial, um domingo de Páscoa, e isso trouxe lembranças muito afetivas. Ele era um homem muito presente, mesmo com a vida pública intensa, e tinha um coração enorme. Era firme nas decisões, exigente, mas sempre com o propósito de servir ao próximo. Tudo o que ele fez, seja na fundação ou na política, foi pensando nas pessoas.”
A trajetória de Geraldo Coelho se confunde com o próprio processo de modernização de Petrolina. Nascido em 5 de abril de 1926, ele se formou em Engenharia Civil e participou de projetos importantes para o desenvolvimento do Nordeste, como a construção da hidrelétrica de Paulo Afonso. Ao longo da vida pública, acumulou mandatos e ficou conhecido pela postura firme e pela capacidade de transformar projetos em realidade.
Ricardo também relembrou características marcantes da personalidade de Geraldo Coelho, que ajudaram a consolidar o apelido de “Trator do Sertão”.
“Ele dizia sempre que não existe porta que não possa ser aberta. E também repetia muito que ‘o papel não tem perna’, ou seja, não adianta só planejar, é preciso ir atrás, cobrar, fazer acontecer. Essa energia dele era impressionante. Acho que o apelido veio justamente disso: da força, da presença, da forma como ele chegava e resolvia. Era alguém que construía, que entregava obras importantes, como o aeroporto e a Avenida da Integração, que até hoje fazem parte da vida da cidade.”
A vice-presidente da Fundação Nilo Coelho, Beatriz Santana, também destacou o compromisso social do ex-prefeito, especialmente com a população rural.
“Falar de Geraldo é sempre muito emocionante, porque a gente via em cada gesto o amor que ele tinha por Petrolina e, principalmente, pelo homem do campo. Ele era apaixonado pela zona rural e se dedicava a melhorar a vida dessas pessoas que enfrentavam tantas dificuldades com a seca. Através da fundação, ele levou conhecimento, tecnologia e oportunidades. Era alguém incansável, que queria tudo para ontem. Muitas vezes, ele nos acordava de madrugada para resolver demandas, porque acreditava que o trabalho não podia esperar.”
Segundo Beatriz, a educação, a cultura e o desenvolvimento social estavam no centro das ações de Geraldo Coelho.
“A fundação era a menina dos olhos dele. Ele nunca abandonou esse projeto, mesmo quando assumia outros cargos. Investiu em educação, música, cultura e criou iniciativas que até hoje impactam a vida de crianças e jovens. Ele tinha uma visão de futuro muito clara e acreditava que o desenvolvimento da cidade passava pelo conhecimento e pela inclusão social.”
O centenário de Geraldo Coelho reforça a memória de um personagem que ajudou a construir as bases de Petrolina moderna. Para familiares, amigos e representantes da sociedade civil, o legado deixado vai além das obras físicas e permanece vivo na forma de pensar e fazer política na região.



