Entre a emoção de uma boa história e o rigor da ciência, um novo livro convida crianças e educadores a embarcarem em uma aventura pela biodiversidade da Caatinga. Inspirada em uma experiência real acompanhada pelo Centro de Conservação e Manejo de Fauna da Caatinga (Cemafauna), da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), a obra “De volta à Floresta – A jornada dos Bugios” transforma a trajetória de dois primatas resgatados em uma ferramenta de educação ambiental, popularização da ciência e valorização da fauna brasileira.
Desenvolvido no âmbito do “Programa Aventura da Ciência”, iniciativa do Governo de Pernambuco por meio da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti-PE), com apoio da Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia do Estado de Pernambuco (Facepe), o livro apresenta aos leitores a história de Tico e Luna, dois bugios (guaribas) que foram resgatados de situações de maus-tratos e passaram por um processo de reabilitação até retornarem ao seu habitat natural.
A obra foi organizada e escrita pela professora e coordenadora do Cemafauna, Patricia Nicola. Mais do que uma narrativa infantojuvenil, o livro busca despertar a curiosidade científica das crianças, aproximá-las do trabalho realizado por pesquisadores brasileiros, estimular a empatia pelos animais silvestres e promover reflexões sobre temas como conservação da biodiversidade, combate à caça ilegal e a riqueza ecológica da Caatinga.
A publicação também foi pensada como uma ferramenta pedagógica para escolas e espaços educativos, podendo ser utilizada de forma transversal em disciplinas como Ciências, Geografia, Língua Portuguesa e Educação Ambiental. Entre as atividades sugeridas estão rodas de conversa sobre os sentimentos dos personagens, oficinas artísticas, dramatizações, exploração do território da Caatinga e até a elaboração de perguntas para entrevistar cientistas da região.
Autora da obra, a coordenadora do Cemafauna e professora da Univasf, Patricia Nicola, destaca que a iniciativa nasceu do desejo de aproximar as crianças do universo científico por meio de uma linguagem acessível e afetiva. “A conservação da biodiversidade também se constrói por meio das histórias que escolhemos contar. Ao transformar uma experiência real de resgate e reintrodução de fauna em literatura, buscamos mostrar às crianças que a ciência é feita por pessoas, movida por perguntas, sensibilidade e compromisso com a vida. Tico e Luna representam muito mais do que dois animais resgatados; eles simbolizam a capacidade de recomeço que a natureza possui quando recebe a oportunidade de ser cuidada. Esperamos que cada página desperte encantamento, curiosidade e, sobretudo, o entendimento de que todos nós temos um papel na proteção da biodiversidade”, ressalta Patricia.
As ilustrações são assinadas por Maria Lucia dos Santos Balduino, estudante de Artes Visuais da Univasf e bolsista do projeto. Com traços delicados e sensíveis, a ilustradora deu forma ao universo de Tico e Luna, transformando conceitos científicos em imagens capazes de dialogar com leitores de diferentes idades.



