O Nossa Voz, da Grande Rio FM, trouxe segunda-feira (06) uma história que une inovação, sensibilidade e inclusão. O estudante de Engenharia da Computação da Univasf, Caíque Soares de Souza, desenvolveu um crachá eletrônico inteligente voltado para auxiliar pessoas com deficiência visual no dia a dia.
O projeto começou dentro da universidade, a partir de uma proposta acadêmica, mas ganhou novos contornos à medida que passou a incorporar inteligência artificial e, principalmente, a ouvir quem realmente precisa da tecnologia.
Durante entrevista, Caíque explicou que a ideia surgiu em uma disciplina do curso, a partir de um desafio lançado pelo professor Helinando. “Tudo se iniciou com um projeto em uma matéria da universidade com o professor Helinando, e ele pediu para a gente criar um dispositivo que fosse útil para a sociedade. A gente criou um sensor de distância ultrassônico e evoluímos para essa câmera com inteligência artificial”, contou.
A partir do contato com pessoas cegas, o estudante percebeu que o dispositivo poderia ir muito além da proposta inicial. Segundo ele, a escuta foi essencial para o aperfeiçoamento da ferramenta. “A gente procurou por pessoas que pudessem dar esse feedback para a gente, que fossem deficientes visuais, e conversando com elas a gente entendeu várias necessidades delas e vários dispositivos que a gente pode criar e ajudar essa parcela da sociedade”, afirmou.
Na prática, o crachá funciona com uma microcâmera acoplada à roupa do usuário. Quando a pessoa aperta um botão, a câmera registra a imagem e envia o arquivo para o celular, que faz a conexão com a inteligência artificial. Em seguida, o sistema descreve o conteúdo por voz. “Ela se conecta ao celular, envia a foto para o celular que ela tira quando a pessoa aperta um botãozinho, e o celular envia para a inteligência artificial. Ela fala o que tem na imagem para a pessoa, tanto pelo alto-falante do celular, quanto por um fone de ouvido”, explicou.
A proposta é ampliar a autonomia de pessoas com deficiência visual em tarefas cotidianas. Entre as possibilidades já identificadas pelo estudante estão reconhecer o valor de uma nota de dinheiro, ler textos e até identificar a cor de uma roupa. “Auxilia em bastante coisa, porque elas podem ver desde coisas mais simples, como o valor de uma nota de dinheiro, ler algum texto, saber qual é a cor de alguma roupa que quer usar, e várias coisas que às vezes a gente nem pensa que são uma necessidade, mas que para essa parcela da população é muito útil”, destacou.
Apesar de ainda estar em fase inicial, o dispositivo já funciona. Agora, o foco está em aperfeiçoar a tecnologia e ampliar a possibilidade de uso. “Ele vai estar sempre em desenvolvimento, claro, e por enquanto ele ainda está em fases iniciais, mas ele já funciona. O objetivo agora é melhorar mais ainda ele para que a gente possa produzir para mais pessoas em vários ambientes onde elas estão”, disse.
Ao falar sobre o futuro da inteligência artificial, Caíque defendeu o potencial da tecnologia como ferramenta de inclusão social. “Com certeza é um grande passo. Há mais ou menos dois anos atrás eu jamais imaginaria algo assim, algo que fosse tão simples, mas que ajudasse tanto. Então, é um pequeno passo usando uma tecnologia que pode ajudar bastante”, afirmou.



