Geraldo Coelho, 100 anos: a força de um homem que ajudou a erguer Petrolina

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Neste 5 de abril, Petrolina não apenas recorda uma data. Petrolina reverencia um nome. Celebra um homem. Honra uma história que atravessa gerações e permanece viva na memória de um povo. Se estivesse entre nós, Geraldo de Souza Coelho completaria 100 anos. E o centenário daquele que ficou conhecido como o “Trator do Sertão” convida a cidade a olhar para trás com respeito, gratidão e reconhecimento.

Falar de Geraldo Coelho é falar de uma linhagem de homens públicos que não passaram pela vida apenas ocupando cargos, mas deixando marcas. Marcas concretas, visíveis, estruturantes. Marcas que ajudaram a moldar Petrolina em momentos decisivos de sua história. Sua trajetória se confunde com o próprio processo de modernização da cidade.

Nascido em 5 de abril de 1926, em Petrolina, filho de Clementino de Souza Coelho e Josepha de Souza Coelho, Geraldo cresceu com raízes fincadas no Sertão e com os olhos voltados para o futuro. Estudou em Petrolina, em Salvador e em São Paulo. Formou-se em Engenharia Civil pela Escola de Engenharia Mackenzie, em 1948, e também teve formação militar, concluindo o curso de Artilharia do Exército Brasileiro como 2º Tenente da Reserva, em 1945.

Ainda jovem, participou de uma fase histórica do desenvolvimento nordestino ao integrar a turma pioneira da Chesf na construção da Hidrelétrica de Paulo Afonso, entre 1949 e 1952. Era, desde cedo, um homem ligado à ideia de construção — de obras, de caminhos, de futuro. Talvez por isso, anos mais tarde, tenha recebido um apelido que traduzia bem seu ritmo, sua firmeza e sua capacidade de realização: o Trator do Sertão.

Na vida pública, exerceu mandatos de vereador, foi presidente da Câmara Municipal de Petrolina, tornou-se prefeito do município e, posteriormente, cumpriu seis mandatos como deputado estadual. Mas sua grandeza política nunca esteve apenas na longevidade de sua trajetória. Esteve, sobretudo, no que foi capaz de entregar.

Como prefeito de Petrolina, entre 1973 e 1977, Geraldo Coelho ajudou a lançar bases importantes para o crescimento da cidade. Sua gestão é lembrada pela implantação da Secretaria Municipal de Educação, pela criação da Facape, pela construção da Avenida da Integração, pela implantação do Museu do Sertão, pelo impulso ao Aeroporto de Petrolina, pela construção do Viaduto Barraqueiro e pelas melhorias no Estádio Paulo Coelho. Obras e ações que não ficaram restritas ao seu tempo, mas atravessaram décadas e passaram a fazer parte da vida cotidiana dos petrolinenses.

Seu legado, no entanto, vai além da política institucional. Geraldo Coelho também esteve presente em iniciativas voltadas à educação, à infraestrutura, ao cooperativismo, ao saneamento e ao desenvolvimento regional. Foi sócio-fundador e primeiro presidente da CERPEL, presidiu a Fundação Educacional de Petrolina, atual Fundação Nilo Coelho, integrou a comissão de interiorização do ensino da UFPE, presidiu o Conselho de Administração da Compesa e exerceu diversas outras funções públicas e representativas.

Por tudo isso, sua história não pode ser reduzida a uma lista de cargos ou datas. Geraldo Coelho pertence à memória afetiva, política e administrativa de Petrolina. Pertence ao tempo em que liderar significava, antes de tudo, assumir responsabilidades, abrir caminhos e pensar a cidade adiante de seu próprio presente.

Quando morreu, na madrugada de 25 de agosto, aos 92 anos, em Petrolina, após um período de internação no Hospital Dom Tomás, a cidade se despediu de um de seus personagens mais emblemáticos. O velório na Câmara de Vereadores e o sepultamento no Cemitério Campo das Flores simbolizaram o adeus a um homem cuja vida pública foi profundamente entrelaçada com a história local.

Agora, ao celebrar os 100 anos de seu nascimento, Petrolina não apenas relembra um ex-prefeito, um ex-deputado ou um ex-vereador. Relembra um construtor. Um homem que ajudou a desenhar o presente da cidade quando ele ainda era futuro. Um nome que ultrapassou o tempo e se tornou parte da identidade petrolinense.