Guilherme Coelho destaca avanços para o agro e acompanha discussões sobre renegociação de dívidas rurais

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O engenheiro agronômo, empresário do agronegócio e novo presidente do Consad/Embrapa, Guilherme Coelho, em entrevista ao programa Nossa Voz desta terça-feira (2). Foto: Mídias Sociais/Nossa Voz

Presidente do Conselho de Administração da Embrapa e ex-presidente da Abrafrutas defende fortalecimento da pesquisa agrícola, celebra abertura de mercado europeu e acompanha projeto que busca aliviar situação financeira de produtores

Durante entrevista ao programa Nossa Voz desta terça-feira (2), o ex-prefeito de Petrolina e atual presidente do Conselho Administrativo da Embrapa, Guilherme Coelho, destacou sua atuação em defesa do agronegócio brasileiro e comentou os principais desafios enfrentados pelo setor, desde a pesquisa agropecuária até a situação financeira dos produtores rurais.

O conselheiro destacou a contribuição da Embrapa Semiárido para o desenvolvimento do Vale do São Francisco. Ele lembrou que a unidade passou por uma transformação ao longo dos anos, assumindo papel fundamental no avanço da fruticultura irrigada, setor responsável por projetar Petrolina e Juazeiro no cenário nacional e internacional.

Mercado europeu

Outro tema abordado foi o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia. Guilherme relembrou sua atuação durante o período em que exerceu mandato de deputado federal e presidiu a Associação Brasileira dos Produtores Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas). Segundo ele, uma das principais conquistas foi a inclusão da uva entre os produtos com tarifa de importação zerada imediatamente após a entrada em vigor do acordo.

A medida, segundo o engenheiro agrônomo e empresário do agronegócio, coloca o Brasil em condições de igualdade com concorrentes internacionais, como Estados Unidos, África do Sul e Peru, ampliando a competitividade da produção do Vale do São Francisco no exterior.

Renegociação de dívidas

Guilherme também comentou as discussões em andamento no Congresso Nacional sobre a renegociação de dívidas do setor agropecuário. De acordo com ele, a proposta em debate prevê o adiamento de parcelas de financiamentos rurais para o final dos contratos, criando uma espécie de carência para os produtores que enfrentaram dificuldades provocadas por fatores como perdas de safra, aumento dos custos de produção, juros elevados e oscilações de mercado.

O ex-deputado explicou que a medida não prevê descontos sobre os débitos, mas busca oferecer fôlego financeiro para que os agricultores possam reorganizar suas atividades e manter o acesso ao crédito rural.

Cenário desafiador

Ao analisar o momento vivido pelo agronegócio brasileiro, Guilherme classificou o cenário como desafiador. Entre os fatores que preocupam o setor, ele citou as mudanças climáticas, conflitos internacionais, aumento dos custos de produção, juros elevados e a queda do dólar, que afeta a rentabilidade das exportações.

Apesar das dificuldades, ele defendeu a continuidade dos investimentos em pesquisa, inovação e políticas públicas voltadas ao fortalecimento da produção agrícola.

Mão de obra no campo

Outro ponto destacado foi a regulamentação que permite aos beneficiários do Bolsa Família atuarem como trabalhadores safristas sem perder o benefício social. Segundo Guilherme, a medida pode ajudar a reduzir a falta de mão de obra enfrentada pelo setor agrícola, especialmente nas regiões produtoras de frutas.

Para ele, a iniciativa representa uma solução importante tanto para os trabalhadores quanto para os produtores rurais, ao possibilitar o aumento da renda das famílias e atender à demanda por mão de obra durante os períodos de safra.

Ao final da entrevista, Guilherme afirmou que continuará acompanhando as discussões relacionadas ao agronegócio em Brasília e utilizando sua experiência acumulada na gestão pública, na produção rural e em entidades do setor para defender pautas consideradas estratégicas para os produtores brasileiros.