João Campos promete “arrancar as grades do Palácio” e critica “intrigas” da base governista

0

Candidato da Frente Popular chegou à convenção no meio da militância, defendeu uma gestão próxima da população e prometeu recuperar o protagonismo de Pernambuco

Oficializado neste sábado (1º) como candidato ao Governo de Pernambuco pela Frente Popular, João Campos (PSB) fez um discurso marcado por críticas à gestão da governadora Raquel Lyra (PSD), promessas de aproximação com a população e a defesa de um novo ciclo político no estado.

João chegou ao Clube Internacional do Recife caminhando no meio da militância, acompanhado por aliados, entre eles o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB). Antes de subir ao palco, afirmou que escolheu iniciar o ato junto aos apoiadores porque aprendeu a fazer política perto das pessoas.

“Quem anda com o povo nunca está só. Pernambuco vai viver um tempo diferente. Convido vocês a trabalhar por este sonho”, declarou.

Durante o discurso, o socialista utilizou as grades instaladas diante do Palácio do Campo das Princesas como símbolo da distância que, segundo ele, existe entre o atual governo e a população. João prometeu retirá-las caso seja eleito.

“Quem tem medo do povo não merece representar o estado mais altivo do Brasil”, afirmou. Em seguida, assumiu o compromisso de “arrancar as grades do Palácio”.

Chegou a hora de fazer por Pernambuco

João Campos também apresentou sua passagem pela Prefeitura do Recife como principal credencial administrativa para disputar o governo estadual.

“Chegou a hora de a gente não fazer apenas pelo Recife. Chegou a hora de fazer por Pernambuco. Chegou a hora de inaugurar um novo tempo”, disse.

O candidato afirmou que pretende levar para o estado experiências desenvolvidas na capital e citou a ampliação da rede de creches durante sua gestão. Ao tratar do tema, criticou promessas que, na avaliação dele, não foram cumpridas pelo Governo de Pernambuco.

“Não se brinca com o sonho de uma mãe, de uma criança. Se uma creche demora três anos para ser feita, ela perde uma oportunidade, porque uma criança só fica na creche até os três anos”, declarou.

João afirmou que não fará promessas que não possa cumprir e disse que a campanha será orientada pela apresentação de propostas e resultados administrativos.

Críticas à base de Raquel Lyra

O socialista também explorou as divergências internas da base governista, que chegaram ao ponto mais tenso neste sábado com a retirada da candidatura de Miguel Coelho (União Brasil) ao Senado.

Sem mencionar diretamente os envolvidos no impasse, João afirmou que Pernambuco não deve continuar submetido a disputas menores entre grupos políticos.

“Chegou o tempo em que a gente não vai mais aceitar intriga e briga pequena no estado”, afirmou.

Em outro momento de tom mais duro, o candidato disse que enfrentará “um grupo que mente sem medir consequências” e associou as práticas dos adversários ao método político da extrema-direita.

João garantiu, porém, que pretende conduzir uma campanha limpa, apesar do embate que espera encontrar ao longo da disputa eleitoral.

Transnordestina e protagonismo regional

O candidato também prometeu trabalhar para recuperar o protagonismo político e econômico de Pernambuco no Nordeste. Segundo ele, o estado não pode aceitar perder investimentos ou ficar atrás de vizinhos como Bahia e Ceará.

João citou a Ferrovia Transnordestina e afirmou que, caso seja eleito, procurará o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para buscar a retomada do trecho pernambucano do projeto.

Para o socialista, Pernambuco se cansou de “assistir parado” à perda de investimentos e de oportunidades de desenvolvimento.

A presença de Geraldo Alckmin e de lideranças da base federal reforçou a estratégia de aproximar a candidatura estadual do projeto de reeleição de Lula. A convenção também homologou Carlos Costa (Republicanos) como candidato a vice-governador, além de Humberto Costa (PT) e Marília Arraes (PDT) para as duas vagas ao Senado.

Com a chegada no meio da militância e o discurso centrado na relação com a população, João Campos procurou estabelecer um dos principais contrastes de sua campanha: apresentar-se como um candidato acessível e disposto a reabrir simbolicamente o Palácio do Campo das Princesas ao povo.