Julho Neon reforça prevenção contra o câncer de boca e alerta para lesões persistentes

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O cuidado com a saúde bucal deve ir além da prevenção de cáries e da aparência dos dentes. O alerta foi feito pelo cirurgião bucomaxilofacial Emmanuel Marques Ferreira, do Hospital Universitário da Universidade Federal do Vale do São Francisco (HU-Univasf), durante entrevista concedida nesta segunda-feira (27) ao programa Nossa Voz, da Grande Rio FM.

A conversa destacou o Julho Neon, campanha nacional de conscientização sobre a importância dos cuidados com a boca ao longo de toda a vida e da prevenção de doenças, entre elas o câncer de boca.

Segundo o especialista, a higiene oral precisa ser tratada como um cuidado diário indispensável, assim como o banho. Além da escovação e dos demais hábitos de limpeza, ele recomendou que as pessoas procurem um cirurgião-dentista pelo menos uma vez por ano.

“Precisamos encarar a higiene oral como um banho diário. É necessário ter esse cuidado todos os dias e visitar o profissional anualmente para que haja prevenção”, explicou.

Saúde bucal vai além dos dentes

Durante a entrevista, Emmanuel Marques ressaltou que muitas pessoas procuram o dentista preocupadas exclusivamente com os dentes e com a estética do sorriso. Entretanto, o acompanhamento profissional também deve observar os lábios, as mucosas da boca, a língua, o assoalho bucal e a orofaringe.

Essas regiões podem apresentar alterações que permanecem despercebidas, principalmente porque as lesões iniciais do câncer de boca, na maioria dos casos, não provocam dor.

Apesar de serem indolores, muitas dessas alterações podem ser visualizadas pelo próprio paciente. O especialista orientou que feridas, manchas, aftas ou outras lesões que não cicatrizem em até 15 dias sejam avaliadas por um profissional.

“Qualquer tipo de lesão que não cicatrize ou permaneça por mais de 15 dias deve ser investigada. Não é normal uma lesão permanecer durante esse período”, alertou.

Homens com mais de 40 anos estão entre os mais afetados

De acordo com o cirurgião bucomaxilofacial, os homens com mais de 40 anos estão entre os grupos mais atingidos pelo câncer de boca. Essa maior incidência está relacionada principalmente à exposição a fatores externos e a hábitos nocivos.

O consumo de tabaco e de bebidas alcoólicas aparece entre os principais fatores de risco. Emmanuel explicou que a associação entre o fumo e o álcool potencializa os riscos, tornando a combinação ainda mais prejudicial.

Entre as áreas da boca atingidas com maior frequência estão o lábio inferior, especialmente em razão da exposição prolongada ao sol, e o assoalho da boca, que pode sofrer os efeitos do tabagismo e do consumo de álcool.

A região da orofaringe também pode ser afetada por lesões associadas ao papilomavírus humano, o HPV, inclusive em pacientes mais jovens.

Vacinação contra o HPV também ajuda na prevenção

O especialista destacou que a vacinação contra o HPV tem papel importante na prevenção de tumores que podem atingir a orofaringe.

A recomendação é que a imunização seja realizada ainda na juventude, preferencialmente antes do início da vida sexual, conforme as orientações de saúde para o público contemplado pela vacinação.

O cirurgião-dentista também possui papel fundamental na identificação inicial de alterações suspeitas. Embora o tratamento do câncer seja conduzido por profissionais como cirurgiões de cabeça e pescoço e oncologistas, o dentista frequentemente é o primeiro profissional a observar a lesão e encaminhar o paciente para investigação.

“Os cirurgiões-dentistas têm um papel fundamental no diagnóstico, porque examinamos a boca dos pacientes com muito mais frequência”, afirmou.

Diagnóstico precoce aumenta as chances de cura

Emmanuel Marques ressaltou que o diagnóstico nos estágios iniciais melhora significativamente o prognóstico do paciente. Segundo ele, quando o câncer de boca é identificado precocemente, as chances de cura podem chegar a aproximadamente 90%.

Em situações mais avançadas, porém, as possibilidades de sucesso do tratamento diminuem de forma expressiva. Por isso, o especialista reforçou que a prevenção e a procura rápida por atendimento são essenciais.

O Hospital Universitário de Petrolina não é uma unidade de referência para o tratamento do câncer de boca, já que possui atuação mais direcionada aos casos de trauma. No entanto, pacientes que eventualmente chegam à unidade com alterações suspeitas recebem o encaminhamento necessário. Na região, o Hospital Dom Tomás é apontado como referência para o atendimento oncológico.

Ao final da entrevista, o profissional indicou três medidas importantes: observar regularmente a boca, procurar o dentista pelo menos uma vez por ano e manter a vacinação contra o HPV em dia, de acordo com as recomendações para cada faixa etária.

“Prevenção é a palavra. Quando a gente se previne, evita não apenas cáries e outras doenças da boca, mas também enfermidades que causam uma mortalidade muito grande e que podem ser evitadas”, concluiu.