O lançamento da chapa presidencial formada por Ronaldo Caiado e Gilberto Kassab, ambos do PSD, já trouxe um recado claro sobre os limites da candidatura nos estados. Durante o ato realizado nesta quarta-feira (1º), em Brasília, o presidente nacional do partido e agora pré-candidato a vice-presidente afirmou que a governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, não deve subir no palanque puro-sangue da sigla no Estado.
A declaração foi dada no mesmo dia em que Caiado oficializou Kassab como companheiro de chapa na disputa pelo Palácio do Planalto. Segundo o dirigente nacional do PSD, a decisão do partido será acompanhada de respeito às realidades regionais, inclusive em estados onde os projetos locais seguem outro rumo político.
“Precisamos ter a sabedoria de respeitar os projetos locais”, afirmou Kassab ao comentar a ausência de Raquel Lyra no evento em Brasília.
Além da governadora de Pernambuco, o prefeito do Rio de Janeiro e pré-candidato ao governo fluminense, Eduardo Paes, também não participou do lançamento. Kassab confirmou que ambos “não devem estar presentes” nos comícios de Caiado em seus respectivos estados.
A fala explicita uma estratégia que o PSD tenta adotar nesta largada da corrida presidencial: manter uma candidatura própria ao Planalto sem obrigar lideranças regionais a embarcar automaticamente no mesmo palanque. Na prática, o partido tenta equilibrar a construção nacional da chapa Caiado-Kassab com a necessidade de preservar alianças estaduais e evitar desgastes locais.
Ao comentar a formação da chapa, Kassab também fez um discurso duro sobre o cenário nacional e procurou apresentar o PSD como alternativa para 2026. “Temos uma convicção de que a República está podre. Os Poderes estão contaminados. O PSD está preparado para dar à sociedade as respostas que ela precisa. Temos um pré-candidato que está preparado para governar o país”, afirmou.
O presidente nacional do PSD disse ainda que uma das bandeiras da campanha será a redução da carga tributária e defendeu que a chapa própria do partido não fecha portas para composições futuras, caso elas se mostrem necessárias adiante.
“Nesta eleição, não buscamos nenhuma aliança. Romeu Zema, desde o primeiro momento, deixou claro para nós que a candidatura dele iria até o final por causa da cláusula de desempenho”, declarou.
A escolha de Kassab para a vice-presidência ocorre num momento em que Caiado enfrentava dificuldades para atrair uma coligação formal com outra legenda. Ao mesmo tempo, o movimento mergulha de vez o PSD na campanha presidencial do ex-governador de Goiás e dá ao partido uma chapa totalmente própria, o que também interessa à estratégia da sigla para a disputa ao Congresso Nacional.
Com isso, Kassab segue acumulando duas funções: continua na presidência nacional do PSD e assume a tarefa de conduzir, junto com Caiado, a costura política da candidatura nos estados. A leitura dentro do partido é de que a dupla pode servir como um palanque mais neutro para candidatos e lideranças que queiram escapar da polarização nacional.
No caso de Pernambuco, a declaração de Kassab sinaliza que Raquel Lyra deve continuar com autonomia para tocar seu projeto local sem o compromisso de vincular sua imagem à candidatura presidencial do PSD. O recado é político, mas também preventivo: o partido quer evitar que a imposição de um palanque nacional acabe criando ruídos em estados estratégicos.



