Para o pré-candidato ao Senado por Pernambuco, Miguel Coelho foi impedido de concorrer devido ao jeito de fazer política ‘sem diálogo’ de Eduardo da Fonte e que a governadora ficou, segundo ele, em uma ‘sinuca de bico’, sem caminho alternativo à decisão da Federação
Em entrevista ao programa Nossa Voz desta quarta-feira (5), o pré-candidato ao Senado por Pernambuco e deputado federal, Mendonça Filho (PL) disse que previu o dissenso partidário que provocou a disputa interna ao Senado no âmbito da Federação União Progressista, que culminou na desistência de Miguel Coelho (UB) da disputa à Casa Alta.
“Eu posso falar sobre fatos de forma muito honesta e clara. Eu disse a Fernando Filho, eu disse a Miguel Coelho, eu disse a várias pessoas, inclusive publicamente, que essa federação não daria certo. Seria uma confusão política permanente. Não haveria integração entre os dois partidos, União Brasil e Progressistas. E isso significaria que nós teríamos impasses, lutas políticas sem solução resolvida na base do diálogo, do consenso. E não deu outra. O que eu previ lá atrás está acontecendo e aconteceu”, disse.
De acordo com Mendonça Filho, Miguel Coelho foi impedido de disputar o cargo de Senador por Eduardo da Fonte (PP) porque quem tem a maioria na Federação, em sua interpretação, tem maior poder de decisão pelos partidos.
“Miguel foi impedido de disputar o cargo de senador por Eduardo da Fonte que queria disputar o cargo de senador e mesmo o Miguel propondo uma disputa onde os dois pudessem concorrer, ele não deixou que Miguel pudesse concorrer. Então, eu realmente já tinha em mente a interpretação de que seria uma grande confusão política a candidatura de qualquer um que não fosse aquele que tivesse a maioria na Federação”, destacou.
Nessa perspectiva, Mendonça Filho criticou a postura de Eduardo da Fonte enquanto presidente estadual da Federação e disse que ele defenestrou a candidatura de Miguel.
“O jeito de fazer política de Eduardo sempre foi esse, hegemônico, único, sem diálogo e terminou acontecendo o que eu previ lá atrás. Mas ele impediu, e como usei linguagem mais forte, defenestrou a candidatura de Miguel Coelho para a frustração de milhares de pernambucanos de Petrolina, do Vale do São Francisco, do Agreste, da Mata e da capital do Estado que esperavam que Miguel pudesse ser o nome de Raquel para a disputa dessa composição de chapa”, afirmou.
A sinuca de bico de Raquel
Durante a entrevista, Mendonça Filho falou sobre a posição da governadora Raquel Lyra (PSD) diante da disputa interna da Federação e disse que um caminho alternativo seria difícil porque decisão não dependia só dela.
“É muito difícil você pedir um caminho para a governadora Raquel alternativo ao que ela apresentou durante esse processo. Alguém pode dizer que, talvez, que ela pudesse ter antecipado o processo decisório, mas francamente não dependia só dela”, afirmou.
Mendonça Filho reforçou sobre o impedimento de Eduardo da Fonte a Miguel e destacou que a governadora não tinha assento ou voto em meio ao impasse da Federação.
“A decisão ficou sendo postergada porque existia um impasse que significa, em termos práticos, uma não solução, um caminho impedido de avanço. Miguel pediu que ele pudesse ser lançado candidato avulso na Federação, mesmo assim, Eduardo também impedia que ele pudesse disputar e disse que também não daria a legenda para ele disputar o cargo de senador de forma avulsa. Então, para Raquel não tinha como ela ter solução, porque o impasse existia dentro da Federação União Progressistas, dos dois partidos, que ela não tinha assento, ela não tinha voto”, ressaltou.
Segundo Mendonça Filho, a governadora ficou, usando de expressão popular, em uma ‘sinuca de bico’.
“A decisão estaria fadada a ser dada pela Federação propriamente, o que terminou acontecendo e aí ela, ficou, eu diria, assim, numa sinuca de bico, como diz no popular, e prevaleceu a vontade imposta por Eduardo o que, na verdade, inviabilizou a candidatura de Miguel Coelho ao Senado Federal e terminou consagrando o nome de Eduardo da Fonte como candidato ao Senado”, disse.
O deputado federal disse que, em conversas que teve com Miguel Coelho, o ex-prefeito de Petrolina tem expressado compreensão desse cenário, que ele se engajará na campanha ao Senado, manterá apoio à Raquel Lyra nesse caminho e seguirá em frente.
“Ele foi impedido e Raquel ficou realmente sem condições de oferecer uma alternativa. Eu acredito que Miguel, de forma gradual, vai compreender esse quadro e já está compreendendo. Eu tive com ele ontem, tivemos uma ótima conversa, antes de ontem também. Ele está, eu diria, superando esse momento difícil e está se engajando na nossa campanha. Vai apoiar a governadora Raquel Lyra, como já manifestou logo depois da decisão que o inviabilizou como candidato ao Senado e a gente vai partir para a frente”, afirmou.



