Mendonça Filho oficializa candidatura ao Senado, apoia Raquel e promete palanque para Flávio Bolsonaro em Pernambuco

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Ao trocar uma provável reeleição à Câmara por uma disputa independente, candidato do PL criticou o STF e o PT, defendeu pautas conservadoras e disse ter entrado na corrida após a retirada de Miguel Coelho

O deputado federal Mendonça Filho (PL) oficializou, na manhã desta terça-feira (4), sua candidatura ao Senado por Pernambuco. Durante a convenção estadual do Partido Liberal, no Recife, o ex-ministro apresentou a decisão como uma escolha de risco: abrir mão do que classificou como uma reeleição praticamente assegurada à Câmara dos Deputados para enfrentar uma disputa majoritária sem estar vinculado a uma candidatura ao Governo do Estado.

“Quem acompanha a política de Pernambuco sabe que meu mandato de deputado federal era uma coisa quase palpável. Estava muito próximo de ser renovado nas eleições de outubro”, afirmou.

Mendonça disse ter refletido sobre o “conforto de um mandato certo” e o desafio de entrar em uma candidatura independente das chapas já formadas para o Governo de Pernambuco. Segundo ele, a decisão também encontrou resistência dentro da própria família. “Meus filhos diziam: ‘Pai, não vai. Tu tens o mandato certo. Tu tens a garantia da renovação da tua cadeira no Parlamento brasileiro’”, relatou.

Mesmo diante dos apelos, o candidato afirmou que recebeu a confirmação para disputar o Senado como um “chamado” e uma “convocação”. Ele associou a decisão à fé e à necessidade de representar o eleitorado conservador de Pernambuco. “Veio aquele chamado, aquela convocação, aquele desafio. Deus tocou no meu coração e eu disse: ‘vou ser senador da República por Pernambuco’”, declarou.

Retirada de Miguel influenciou decisão

Mendonça relacionou sua entrada na corrida ao desfecho das articulações para o Senado na base da governadora Raquel Lyra (PSD). O deputado afirmou que pretendia votar no ex-prefeito de Petrolina Miguel Coelho (União Brasil), que retirou sua candidatura no último sábado (1º), após uma reunião com a governadora. “Raquel escolheu o seu time. Eu já tinha até um candidato ao Senado como opção para voto, que era Miguel Coelho. Ele foi, infelizmente, defenestrado. E eu disse: agora chegou a hora”, afirmou.

A expressão utilizada por Mendonça traduz sua avaliação política sobre o episódio. Miguel, ao anunciar a desistência, afirmou que tomou a decisão para preservar o projeto de reeleição de Raquel, embora tenha reconhecido que não era o desfecho que desejava.

Mendonça disse que pretende ocupar o espaço deixado pelo ex-prefeito, apresentando-se como uma alternativa para eleitores que não se sentem representados pelos nomes das chapas majoritárias já anunciadas.

Apesar das críticas à composição governista, o candidato declarou apoio à reeleição de Raquel Lyra. Segundo ele, a governadora “restabeleceu o bom caminho para Pernambuco”.

Candidatura independente

O candidato ressaltou que disputará o Senado sem integrar uma chapa própria para o Governo de Pernambuco. Mendonça classificou a candidatura como um “voo solo” e afirmou que uma campanha desse tipo exige maior participação de militantes e apoiadores. “Essa luta não pode ser a luta de uma pessoa só. Ela tem que ser uma luta de todos nós. Precisamos vocalizar as milhares e milhões de vozes de pernambucanos que querem ser representados”, disse.

Mendonça afirmou que deseja ocupar no Senado um espaço semelhante ao exercido por nomes históricos da política pernambucana. Ele citou Marco Maciel, Roberto Magalhães e Jarbas Vasconcelos, de quem foi vice-governador. “Quero chegar a Brasília e o povo pernambucano dizer: ‘Nós temos um senador que honra o nosso povo e o nosso estado’”, declarou.

Críticas ao STF

Uma das partes mais duras do discurso foi direcionada ao Supremo Tribunal Federal. Mendonça afirmou que não pretende “se ajoelhar” diante de ministros da Corte e defendeu maior equilíbrio entre os Poderes da República. “Eu não vou me ajoelhar para ministro do Supremo Tribunal Federal. Quem tem legitimidade para representar o povo brasileiro é o Parlamento, que é a Casa do Povo”, afirmou.

O candidato disse não pretender desrespeitar instituições, mas argumentou que o Congresso não pode ser “subjugado” ou “diminuído” pelo Supremo. Mendonça também criticou decisões da Corte relacionadas às drogas e ao aborto, duas pautas utilizadas para reafirmar sua identificação com a direita conservadora. “A gente tem que respeitar as instituições e os Poderes da República, mas fazer com que o Parlamento vocalize a vontade do povo”, defendeu.

Conservadorismo e críticas ao PT

Ao revisar sua trajetória, Mendonça afirmou que sempre se manteve fiel à direita, à defesa da família e à religião. Disse ainda ter pago “preços elevados” por essas posições e atacou políticos que, segundo ele, mudam de lado por conveniência. “Vejo políticos oportunistas que mudam de posição a partir das suas conveniências, que trocam cargo e posição por dinheiro e poder. Eu nunca me verguei a dinheiro nem a poder”, declarou.

Em seguida, afirmou que nunca votou no Partido dos Trabalhadores. “Essa mão aqui, e essa também, nunca deram um voto no PT. Nunca”, disse.

Mendonça também fez críticas ao partido ao mencionar as investigações sobre descontos indevidos em benefícios previdenciários. As declarações foram apresentadas como parte do discurso político do candidato, sem detalhamento de responsabilidades individuais ou das apurações em andamento.

Flávio Bolsonaro terá palanque no Estado

O candidato confirmou apoio à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro e afirmou que trabalhará para construir um palanque da direita em Pernambuco. “Quero ajudar a fazer com que Flávio Bolsonaro seja eleito presidente da República. Essa é a minha vontade, esse é o meu desejo e essa será a minha luta”, declarou.

Mendonça disse já ter conversado com Flávio e o convidado a visitar Pernambuco. Segundo o candidato, o objetivo é estabelecer no Estado uma “trincheira” em defesa dos valores conservadores.

Apelo para evitar segundo voto à esquerda

Como Pernambuco elegerá dois senadores em 2026, Mendonça encerrou o discurso pedindo que os eleitores de direita não destinem o segundo voto a candidaturas do campo progressista.

Segundo ele, a divisão desse eleitorado pode facilitar a eleição de dois nomes ligados à esquerda. “A direita não pode se dividir. Quem vota em um e dá o segundo voto à esquerda pode ter que engolir dois senadores de esquerda”, afirmou.

Mendonça convocou os apoiadores a utilizarem as redes sociais para divulgar sua candidatura e o projeto presidencial de Flávio Bolsonaro. “Multipliquem a minha voz, propaguem a defesa de Flávio e divulguem o meu nome como candidato ao Senado”, pediu.