Com foco na força da militância partidária, Patrick Campos propõe criação de indústrias regionais e fim das bets na Câmara dos Deputados

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O candidato a deputado federal por Pernambuco, Patrick Campos (PT), em entrevista ao programa Nossa Voz desta quarta-feira (16). Foto: Mídias Sociais/Nossa Voz

Candidato foi o décimo primeiro entrevistado da série de sabatinas da Grande Rio FM 100,7 com os postulantes à Câmara dos Deputados no programa Nossa Voz, com Neya Gonçalves e Karine Paixão 

Eleições 2026 – A Grande Rio FM 100,7 deu continuidade, nesta quarta-feira (16), à série de entrevistas com os candidatos à Câmara dos Deputados, com domicílio eleitoral e base política em Petrolina, no programa Nossa Voz e o entrevistado no estúdio da emissora foi o candidato a deputado federal pelo PT, Patrick Campos.

Confira os principais destaques da sabatina com o candidato:

Militância partidária

Patrick Campos destacou que a recolocação de seu nome para a segunda disputa à vaga na Câmara dos Deputados, após as eleições de 2022, foi influenciada pelo apoio de companheiros do partido. O candidato disse que não se considera como um político e se apresentou como militante partidário.

“Nós temos companheiros e companheiras do nosso partido espalhados em todo o estado, que nos últimos quatro anos insistiram que nós deveríamos nos recolocar. Não é uma decisão minha, eu tenho falado em todo canto que eu vou. Eu não sou político, do sentido tradicional da palavra, eu não vivo disso. Eu sou professor, sou oficial de justiça, sou servidor público, trabalho muito, muito mesmo. E sou militante partidário, a coisa que eu mais gosto de fazer é organizar as pessoas. De lá para cá, a gente ampliou muito a organização das pessoas, na disputa do movimento sindical, do movimento social e do partido”.

O candidato afirmou que possui uma candidatura competitiva, baseada no poder da mobilização social e das ideias.

“Quando você me pergunta como a gente vai conseguir crescer, desse jeito, organizando as pessoas, fazendo luta social em todo o estado. Nós crescemos, quando eu falo nós, eu falo as pessoas com quem eu construo o PT nos últimos quatro anos, o que nos dá uma perspectiva de ampliação. É suficiente para ganhar a eleição? É muito difícil. Sendo muito franco com vocês, é muito difícil, porque do outro lado tem uma força do poder econômico imensa. Tem gente com estruturas, com prefeitura com mandatos que mobilizam milhões através de emendas parlamentares. Então, para um trabalhador conseguir chegar em todos os lugares e ganhar uma eleição é muito difícil, mas não é impossível, porque na minha opinião, a força das ideias é tão potente quanto ou mais do poder econômico”.

Vínculo partidário como estratégia

O candidato reconheceu que possui maior força eleitoral na capital devido à tendência de atuação partidária pelo PT e disse que, apesar de não ter conquistado mandato na disputa para a Câmara Federal em 2022, considera os votos que recebeu em Petrolina como expressivos e representativos de um vínculo partidário.

“Faz parte de uma tendência chamada Articulação de Esquerda, que é uma tendência da esquerda do PT, que me colocou inclusive durante alguns anos como dirigente nacional do partido, eu fui da direção do PT nacional por vários anos. Então, essa organização tem muito mais força em Pernambuco no Recife. Por isso eu passei sei boa parte da campanha de 2022 lá, mais tempo do que aqui inclusive, mas fiquei muito surpreso pela votação que nós tivemos aqui. Aqui foram quase 2 mil votos, em um momento aonde você tinha uma eleição disputadíssima com outros candidatos na cidade, o que demonstra que não existe uma base territorial, mas sim um vínculo partidário meu com os companheiros e companheiras”.

Industrialização como projeto de desenvolvimento econômico

Questionado sobre o projeto de desenvolvimento econômico que defende para Petrolina e o Vale do São Francisco nos próximos 10 anos, caso seja eleito, Patrick Campos disse que atuará pelo fortalecimento da industrialização.

“Petrolina já teve uma experiência de industrialização que não deu certo, infelizmente. Nós tivemos aqui nos anos 70, nesses anos 80, uma tentativa de realizar um modelo de desenvolvimento que não tivesse alicerçado na monocultura ou no agronegócio. Infelizmente, não deu certo. Minha opinião, temos que tentar retomar isso. Petrolina é um polo de desenvolvimento econômico baseado na fruticultura irrigada, mas isso tem um teto. Um teto por quê? Porque a exportação de frutas, apesar de ser algo extraordinário, coloca a capacidade de desenvolvimento muito abaixo daquilo que é necessário. E a gente tem na cidade hoje Instituto Federal, Universidade Federal, cada vez mais empresas, mas para que isso possa ser desenvolvido, tem que ter indústria de alta potência”.

O candidato defendeu a criação de indústrias para a produção regional voltadas à geração de mão de obra e tecnologia local.

“Por que a gente não pode ter uma indústria local para produzir equipamentos tecnológicos de alto valor agregado? Para sair de uma condição de dependência porque, por exemplo, a gente viu agora, que estamos vivendo ainda, os impactos do tarifaço do Trump e os Estados Unidos, que com estalar de dedos pressionam a economia local, causam desemprego. Como é que a gente resiste a isso? Tendo autonomia, tendo soberania. O Brasil tem que ser mais soberano, mas cada local, estado e cidade tem que ter o seu plano de desenvolvimento. E na minha opinião, nós temos potencial de verdade para ser uma região industrializada”.

Fim das bets

Patrick Campos afirmou que, se eleito, trabalhará pelo fim das chamadas bets, apostas esportivas online onde os usuários arriscam dinheiro em palpites sobre resultados de eventos esportivos ou jogos de cassino online.

“As bets precisam acabar. Não tem regulamentação boa suficiente, não é um problema de fiscalização, nem de publicidade infantil. As bets são um problema de saúde pública, de economia, de educação. Gente, eu tenho alunos da rede pública que recebem R$ 200 do pé de meia e perdem no mesmo dia. As bets dizem que regulamentam e não deixam menor de idade apostar. Como que não deixam se os meus alunos perdem dinheiro? E às vezes eu vou conversar sabe com ele já aconteceu várias vezes, de eu chegar e falar: “Mas, cara, como é que você perde os 200 contos que você ganhou num dia?” E eu já ouvi a resposta: “Mas mainha perde 500″. É uma epidemia de pessoas viciadas que estão perdendo”.

Segundo o candidato, as bets são um problema estrutural sob manutenção em Brasília.

“As bets são um problema estrutural, mas é difícil porque hoje tem uma bancada das bets no congresso nacional defendendo a sua manutenção. Gente que acha que não, tem só que regulamentar a publicidade infantil. Não é só esse o problema. As bets como um todo precisam acabar e se não acabarem o risco é da gente ter uma ampliação. Tem gente defendendo criação de cassinos no Brasil”.

Regularização trabalhista de motoristas e entregadores de app

Sobre a proposta que defende em torno do vínculo empregatício para motoristas e entregadores de aplicativos ou um modelo intermediário de proteção, Patrick Campos afirmou que quem deve arcar com os custos são as plataformas

“Defendo o que deve existir, sim, é preciso garantir direitos, quem deve arcar são as plataformas. Elas hoje lucram absurdamente e não possuem quase nenhuma responsabilidade, pelo contrário, elas transferem para o trabalhador aplicativo quase que todos os encargos. É o motorista ou o piloto que tem que cuidar da moto, do carro, que tem que comprar EPI, que tem que se proteger e elas simplesmente pagam um valor muito, mais muito baixo. Defendo a regulamentação, acho que são trabalhadores que tem que ter direitos sociais garantidos em especial, previdência social e seguridade social. O acesso tanto ao SUS quanto ao SUS, mas particularmente o direito de se aposentarem e terem uma previdência assegurada”.

Nossa Voz Sem Rodeios – Pingue Pongue com o candidato

Nossa Voz Sem Rodeios – Pingue Pongue com o candidato

Ao final, a sabatina com o candidato contou com perguntas em formato de pingue-pongue, com respostas curtas e objetivas sobre temas variados no Nossa Voz sem rodeios. Confira as respostas de Patrick Campos:

Nossa Voz: PT, renovação ou continuidade?

Patrick Campos: Renovação.

Nossa Voz: Bolsonarismo, fenômeno político ou efetivamente ameaça democrática?

Patrick Campos: Ameaça democrática e um problema social.

Nossa Voz: Lava Jato, combate à corrupção ou abuso institucional?

Patrick Campos: Abuso institucional.

Nossa Voz: STF, contrapeso necessário ou poder excessivo?

Patrick Campos: Contrapeso necessário que precisa ser ajustado.

Nossa Voz: MST, movimento social ou invasão de propriedade?

Patrick Campos: Movimento social legítimo que deve ser respeitado.

Nossa Voz: Emendas parlamentares, política pública ou clientelismo?

Patrick Campos: Nesse momento, principalmente clientelismo tem que acabar.

Nossa Voz: Desigualdade resultado de escolhas políticas, a cidade é riquíssima e tem dinheiro para o desenvolvimento.

Patrick Campos: Direitos humanos universais ou condicionados à conduta?

Nossa Voz: Universais, todo mundo tem direitos.

Nossa Voz: Reforma agrária necessária ou ultrapassada?

Patrick Campos: Necessária, urgente e fundamental.

Nossa Voz: Humberto Costa, liderança do PT ou símbolo de um ciclo político?

Patrick Campos: Liderança do PT em Pernambuco e o nosso próximo senador.

Nossa Voz: Plebiscitos e referendos, mais participação popular ou é risco de populismo?

Patrick Campos: Muito mais plebiscitos, referendos e consultas para ampliar a democracia no Brasil.

Nossa Voz: Estatais, estratégicas ou há algumas que precisam de privatização?

Patrick Campos: Estratégicas e algumas privatizadas têm que ser reestatizadas.

É, o endurecimento das leis contra criminalidade e o fim das chamadas saidinhas, contra ou a favor? Contra. É um Direito fundamental e ampliação do encarceramento não resolve a violência.

Escola sem partido, sim ou não? Não, é censura. Reforma administrativa, contra ou a favor? A favor em defesa dos trabalhadores. Concurso público, ampliar ou reduzir? Ampliar sempre.

Confira a entrevista na íntegra

A entrevista completa com o candidato a deputado federal por Pernambuco, Patrick Campos (PT), no programa Nossa Voz desta quarta-feira (16), está disponível no canal da Grande Rio FM, no YouTube, através do link.