
Durante agenda em Petrolina, nesta sexta-feira (22), o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, também abordou temas estratégicos da gestão da pasta, como a ampliação da irrigação no Sertão e os reflexos das tensões comerciais internacionais sobre as exportações brasileiras.
A fala ocorreu no contexto da Caravana Frutas – Do Vale para o Mundo, realizada na Valexport, evento que marcou o registro institucional do primeiro embarque de uvas frescas com tarifa zero para a União Europeia.
Um dos pontos levantados durante a visita foi a necessidade de retomada da expansão dos projetos de irrigação em Pernambuco. O presidente do Conselho de Administração da Embrapa, Guilherme Coelho, aproveitou a presença do ministro para defender a criação de um novo ciclo de investimentos, com destaque para o chamado Canal do Sertão.
“Está faltando um novo projeto de irrigação, um novo projeto. Aqui a gente teve o Bebedouro, depois do Bebedouro já se pensava no Nilo Coelho, quando estava fazendo Nilo Coelho já se pensava no Maria Tereza, quando estava a se fazer, pensava no Pontal. E agora? Agora parou”, afirmou.
Na fala, Guilherme destacou que o novo projeto poderia ampliar a presença da agricultura irrigada em outras regiões do estado. “Nós precisamos resgatar e botar pra frente um projeto importante chamado Canal do Sertão. Levar água para o Araripe, levar água para onde vai a Ferrovia Transnordestina, levar água para onde tem terras muito melhores do que possa ser um grande pomar para o futuro do mundo”, disse.
Questionado sobre o tema durante a coletiva de imprensa, André de Paula afirmou que a ampliação da infraestrutura hídrica segue entre as prioridades do governo.
“Está no radar do governo como um todo”, respondeu o ministro. Em seguida, associou o sucesso do Vale do São Francisco ao acesso à água. “Se a gente pudesse escolher algo que pudesse justificar esse exemplo de sucesso extraordinário, essa mudança, essa transformação que ocorreu aqui no Vale, seria a água”, afirmou.
Segundo ele, a expansão da oferta hídrica para a agricultura irrigada continua sendo uma preocupação permanente. “A água é sempre prioridade. Ampliar esse espaço, essa possibilidade de fornecimento de água para uma agricultura irrigada sustentável está sempre na nossa preocupação”, declarou.
Outro ponto tratado pelo ministro foi a conjuntura internacional e os desafios enfrentados pelo agro brasileiro diante de tensões comerciais e tarifárias, especialmente em relação aos Estados Unidos. Ao responder sobre os impactos para exportadores do Vale do São Francisco, André de Paula reconheceu que o setor convive com dificuldades previsíveis e também com crises inesperadas.
“Quem faz o agro sabe que tem que enfrentar desafios”, afirmou. “Aqueles desafios que são inerentes à atividade, tipo os desafios climáticos, aqueles desafios que fazem parte do dia a dia de qualquer atividade econômica e até aqueles desafios que não são previstos”, acrescentou.
O ministro citou como exemplo os efeitos das guerras em curso sobre a importação de insumos importantes para o setor, como fertilizantes. Sobre a taxação imposta pelos Estados Unidos, explicou que parte das medidas já foi flexibilizada, mas que ainda há negociações em andamento.
“Alguns desses itens já estão relaxados, mas outros seguem em negociação”, disse. Para ele, a resposta do governo federal ao problema foi rápida e coordenada. “O presidente Lula de imediato criou um comitê de gestão, colocou o vice-presidente da República, que é reconhecidamente um craque, uma pessoa que tem uma capacidade de mediação muito grande, e não por acaso nós tivemos resultados muito positivos num prazo muito curto”, afirmou.
André de Paula também ressaltou que, apesar das turbulências no cenário internacional, o Brasil tem mantido um diferencial importante: a imagem de país confiável e produtor de alimentos com base sustentável.
“O nosso conceito decorre da qualidade dos nossos produtos e sobretudo do fato de que cada vez mais o Brasil faz uma agricultura sustentável”, afirmou. Segundo ele, isso pesa cada vez mais na decisão dos mercados compradores, especialmente o europeu.
Ao falar sobre a Europa, o ministro lembrou que o grau de exigência sanitária do bloco funciona como uma espécie de selo internacional de qualidade. “É o mercado mais exigente. É deles que vem o melhor selo de qualidade”, disse.
Na avaliação do ministro, a presença da fruta do Vale do São Francisco no mercado europeu reforça a competitividade do polo exportador da região. “Quando a gente diz que as nossas uvas aqui são exportadas para o mercado europeu, a gente está dizendo, de outra forma, que quem exporta para a Europa exporta para o mundo inteiro”, declarou.


